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Quarta-feira, Junho 18, 2008
Re-li um texto do Cabrera Infante que publiquei aqui no Ataraxia, chama-se a história do conto e nesse texto ele cita grandes contistas e ótimos contos. Um deles é do Hemingway e chama-se "The Killers", no texto que publiquei aqui no blog o titulo está traduzido como "Os Assassinos". Jamais encontrei a tradução do conto, portanto fui à luta e o traduzi. Há detalhes em cada língua existente ou extinta que são peculiares a elas, ou ao momento histórico em que ela é utilizada e o texto é desenvolvido, que são intraduzíveis, tentei usar uma linguagem que refletisse a personalidade dos personagens. Segue o resultado e o link para o original, assim vocês podem tirar suas próprias conclusões.
Tem mais uma coisa, eu decidi traduzir o titulo como Os Matadores, em homenagem ao primeiro longa filmado pelo Beto Brant que eu assisti faz muito tempo e também porque assassino pode ser qualquer bunda mole, Matador é alguém absolutamente peculiar. Tem psicologia intrincada.
Vamos ao que interessa, se é que interessa:
Os Matadores
por Ernest Hemingway
A porta do restaurante Herry’s se abriu e dois homens entraram. Eles sentaram-se no balcão.
“Qual sua pedida?” George perguntou a eles.
“Não sei”, disse um dos homens. “O que você gostaria de comer Al?”
“Não sei” disse Al. “Eu não sei o que gostaria de comer.”
Fora estava escuro. As luzes da rua acenderam. Os dois homens no balcão liam o menu. Do lado de dentro Nick Adams os olhou. Ele conversava com George quando eles entraram.
“Eu gostaria de um medalhão de carne de porco grelhado com molho de maçã e purê de batata,” disse o primeiro deles.
“Ainda não estamos servindo.”
“Então porque cacete vocês põe no cardápio?”
“Esse é um prato do jantar,” explicou George. “Você pode pedi-lo as seis.” George olhou para o relógio atrás do balcão.
“São cinco.”
“O relógio diz cinco e vinte,” disse o segundo.
“Está vinte minutos adiantado.”
“Pro inferno com o relógio,” o primeiro disse. “O que você tem para comer?”
“Eu posso lhe oferecer qualquer sanduíche,” disse George. “Você pode escolher presunto e ovos, bacon e ovos, fígado e bacon, ou bife.”
“Me dá croquete de frango com ervilha verde, molho e purê de batatas.”
“Esse é do jantar”
“Tudo o que queremos é jantar, é?” “Essa é a forma que vocês trabalham?”
“Posso lhe oferecer presunto e ovos, bacon e ovos, fígado-“
“Eu vou querer presunto e ovos disse o homem chamado Al.” Ele usava um chapéu de jóquei e um sobretudo preto abotoado no peito. Seu rosto era pequeno e branco e ele tinha lábios finos. Ele usava um cachecol de seda e luvas.
“Eu vou querer bacon e ovos,” disse o outro homem. Ele era quase do mesmo tamanho que Al. Seus rostos eram diferentes, mas eles se vestiam como gêmeos. Ambos usavam sobretudo muito apertado para eles. Eles se sentaram inclinando para frente, seus cotovelos apoiados no balcão.
“Tem algo para beber?” Al perguntou.
“Cerveja, soda, ginger-ale,” disse George.
“Eu quero saber se você tem bebida?”
“Somente as que mencionei.”
“Está é uma cidade quente,” disse o outro. “De que eles a chamam?”
“Summit.”
“Já ouviu falar?” Al perguntou ao amigo.
“Não.” Disse o amigo.
“O que eles fazem aqui à noite?” Al perguntou.
“Eles jantam,” respondeu seu amigo. “Todos eles vêm aqui e comem o grande jantar.”
“É isso aí.” George disse.
“Então você acha que é isso aí?” Al perguntou a George.
“Claro.”
“Você é um garoto bem espertinho, não é?”
“Claro,” disse George.
“Bom, você não é,” disse o outro baixote. “Ele é Al?”
“Ele é estúpido,” disse Al. Ele voltou-se para Nick. “Qual seu nome?”
“Adams.”
“Outro garoto espertinho,” Disse Al. “Ele não é um garoto espertinho, Max?”
“A cidade é cheia de garotos espertinhos,” disse Max.
George colocou duas travessas, uma delas de presunto e ovos, a outra de bacon e ovos sobre o balcão. Também pôs dois pratos de acompanhamentos com batatas fritas e fechou a portinhola que dava para a cozinha.
“Qual é o seu?” ele perguntou para Al.
“Não lembra?”
“Presunto e ovos.”
“Realmente um garoto esperto,” disse Max. Ele inclinou-se para frente e olhou para o presunto e os ovos. Ambos comeram com suas luvas vestidas. George olhou eles comerem.
“O que você está olhando?” Max olhou para George.
“Nada.”
“Claro que você estava. Você estava olhando para mim.”
“Talvez o garoto tivesse a intenção de fazer uma brincadeira, Max,” Al disse.
George riu.
“Você não tem que rir,” Max disse a ele. “Você não deve rir de maneira alguma, certo?”
“Tudo bem,” disse George.
“Então ele acha que está tudo bem.” Max voltou-se para Al. “Ele acha que está tudo bem. Essa é boa.”
“Oh, ele é um pensador,” disse Al. Eles continuaram comendo.
“Como é o nome do garoto esperto no final do balcão?” Al perguntou a Max.
“Ô garoto esperto,” Max disse a Nick. “Vá para o outro lado do balcão com seu amigo.”
“Qual é?” Perguntou Nick.
“Não é.”
“É melhor você ir para o outro lado, garoto esperto”, Al disse. Nick passou para trás do balcão.
“Qual é?” George perguntou.
“Porra nenhuma que te interesse,” disse Al. “Quem está na cozinha?”
“O negão”
“O que você quer dizer com o negão?”
“O negão que cozinha.”
“Fala pra ele vir aqui.”
“Qual é?”
“Fala pra ele vir aqui.”
“Onde você pensa que está?”
“Nós sabemos muito bem onde estamos,” O homem chamado Max disse. “Nós parecemos tolos?”
“Você só fala besteira” Al disse a ele. “Por que cacete você está discutindo com esse moleque?” Escuta, ele disse para o George, “fala pro negão vir aqui.”
“O que você fará com ele?”
“Nada, use sua cabeça, garoto esperto. O que nós faríamos com um negão?”
George abriu a portinhola que dava para cozinha. “Sam,” ele chamou.
“Venha aqui um instante.”
A porta da cozinha abriu-se e o negão entrou. “O que é isso?” ele perguntou. Os dois homens no balcão olharam para ele.
“Tudo certo negão. Você fica bem ali,” disse Al.
Sam, o negão, de pé com seu avental, olhou para os dois homens sentados no balcão. “Sim, senhores” ele disse. Al saiu de seu banco.
“Eu voltarei para a cozinha com o negão e o garoto esperto,” ele disse. “Volta pra cozinha negão, você volta com ele garoto esperto.” O baixote seguiu atrás de Nick e Sam, o cozinheiro, de volta para a cozinha. A porta se fechou atrás deles. O homem chamado Max sentou-se no balcão em frente a George mas olhava para o espelho que ficava na parte de trás. Herry’s era um saloon e havia sido transformado em restaurante.
“Bem, garoto esperto,” disse Max, olhando para o espelho, “porque você não diz algo?”
“O que significa isso tudo?”
“Ei, Al,” Max chamou, “o garoto esperto quer saber o que significa isso tudo.”
“Porque você não diz a ele?” A voz de Al veio da cozinha.
“O que você acha que significa isso?”
“Eu não sei.”
“O que você acha?”
Max olhava para o espelho durante todo o tempo que ele falava.
“Eu não sei dizer.”
“Ei, Al, o garoto esperto diz que não sabe dizer o que ele pensa que significa isso.”
“Eu posso escutar vocês, certo,” Al disse de dentro da cozinha. Ele manteve a portinhola por onde passam as louças que entram e saem da cozinha aberta com uma garrafa de catchup. “Escuta, garoto esperto,” ele falou da cozinha para George. “Fique um pouco mais perto do bar. Você Max, mova-se um pouco para a esquerda.” Ele parecia um fotografo organizando uma foto em grupo.
“Fala comigo, garoto esperto,” disse Max. O que você acha que irá acontecer?”“
George não disse nada.
“Eu vou te contar,” Max disse. “Nós vamos matar um sueco. Você conhece um grandão sueco chamado Ole Anderson?”
“Sim”
“Ele vem jantar aqui todas as noites, não vem?”
“Às vezes ele vem aqui.”
“Ele vem aqui as seis, não vem?”
“Se ele vem.”
“Nós sabemos de tudo isso, garoto esperto,” Max disse. “Fale sobre alguma outra coisa. Vai ao cinema às vezes?”
“Bem de vez em quando.”
“Você deveria ir mais ao cinema.Os filmes são bons para um garoto esperto como você.”
“Porque motivo vocês vão matar Ole Anderson? O que ele já fez para vocês?”
“Ele nunca teve a chance de fazer nada contra nós. Ele nunca nem nos viu.”
“E ele só nos verá uma vez,” Al disse da cozinha.
“Então porque motivo vocês irão matá-lo?” George perguntou.
“Nós iremos matá-lo por um amigo. Somente como forma de gratidão a um amigo, garoto esperto.”
“Cala a boca.” Disse Al da cozinha. “Você fala demais.”
“Bem, eu tenho que distrair o garoto esperto. Não tenho garoto esperto?”
“Você fala pra cacete,” Al disse. “O negão e meu garoto esperto se distraem eles mesmos. Eu os tenho amarrados como um casal de namoradinhas no convento.”
“Eu achei que você estivesse num convento,”
“Nunca se sabe.”
“Você está em um convento kosher. É onde você está.”
George olhou para o relógio.
“Se alguém entrar você diz que o cozinheiro está de folga, e se a pessoa insistir em ficar, você diz que você mesmo irá cozinhar. Você entendeu garoto esperto?”
“Claro.” George disse. “O que você fará conosco depois?”
“Isso depende,” Max disse. “Essa é uma das coisas que você nunca sabe até que ela aconteça.”
George olhou para o relógio. São seis e quinze. A porta da rua abriu. Um condutor de bonde entrou.
“Olá George,” ele disse. “Posso jantar?”
“Sam saiu,” George disse. “Ele voltará em aproximadamente meia hora.”
“É melhor eu subir a rua,” disse o motorneiro. George olhou para o relógio. Eram seis e vinte.
“Essa foi boa, garoto esperto,” Disse Max. “Você é mesmo um pequeno gentleman.”
“Ele sabia que eu estouraria sua cabeça,” Al disse da cozinha.
“Não,” disse Max. Não é isso. “O garoto esperto é bacana. Ele é um garoto bacana. Eu gosto dele.”
As seis e cinqüenta e cinco George disse: “Ele não virá.”
Duas outras pessoas entraram no restaurante. Quando George foi à cozinha para preparar um sanduíche de presunto e ovo para viagem que o homem queria levar, dentro da cozinha ele viu Al, seu boné de jóquei virado para trás, sentado em um banco ao lado do passa pratos com a boca da cartucheira cano serrado apoiada em sua perna. Nick e o cozinheiro estavam costas com costas num canto, uma toalha amarrada na boca de cada um. George havia preparado o sanduíche, embrulhado, posto em uma sacola, trouxe para o salão, o homem havia pago e saído.
“Garoto esperto pode fazer tudo,” disse Max. “Ele pode cozinhar e tudo mais. Você poderia fazer de alguma garota uma esposa feliz, garoto esperto.”
“Sim?” George disse, “Seu amigo, Ole Anderson, não virá.”
“Bom eu lhe darei dez minutos,” disse Max.
Max olhou para o espelho e para o relógio. Os braços do relógio marcavam sete e depois sete e cinco.
“Vamo nessa, Al,” disse Max. “É melhor irmos. Ele não virá.”
“Melhor dar mais cinco minutos,” Disse Al da cozinha.
Nesses cinco minutos um homem entrou e George explicou que o cozinheiro estava doente.
“Porque cacete vocês não arranjam outro cozinheiro?” O homem perguntou. “O seu negócio não é uma lanchonete?” Ele saiu.
Vamos nessa Al. Max disse.
“E quanto aos dois garotos espertos e o negão?”
“Eles são de boa”
“Você acha?”
“Certeza. Ta tudo certo com eles.”
“Eu não gosto disso,” disse Al. “Isso é babaquice. Você fala demais.”
“Pro inferno,” disse Max. “Nós temos que ficar entretidos, não temos?”
“De qualquer forma, você fala pra cacete,” disse Al. Ele saiu da cozinha. Os canos cerrados da cartucheira deixaram uma saliência abaixo da cintura de seu sobretudo apertado. Ele esticou o casaco com as luvas vestidas.
“Até logo garoto esperto,” ele disse para George. “Você tem muita sorte.”
“Isso é verdade,” Disse Max. “Você deveria apostar nos cavalos, garoto esperto.”
Os dois homens saíram. George os observou pela da janela, passaram pelo luminoso e atravessaram a rua. Com seus sobretudo apertados e seus chapéus de jóquei eles se pareciam ter saído de um teatro de variedades. George entrou na cozinha pela porta vai-e-vem e desamarrou Nick e o cozinheiro.
“Eu não quero passar por isso novamente,” disse Sam, o cozinheiro. “Não quero isso nunca mais.”
Nick levantou-se. Ele nunca teve sua boca amarrada com uma toalha antes.
“Fala,” ele disse. “Que cacete foi isso?” Ele tentava entender aquilo tudo.
“Eles iam matar Ole Anderson,” George disse. “Eles iam atirar nele quando ele entrasse para comer.”
“Ole Anderson?”
“Certeza.”
O cozinheiro tocou os cantos de sua boca com seus dedões.
“Eles já foram?” ele perguntou.
“Sim,” disse George. “Eles já foram.”
“Não gosto disso,” disse o cozinheiro. “Não gosto mesmo de nada disso.”
“Escuta,” George disse para Nick. “É melhor você ir ter com o Ole Anderson.”
“Beleza.”
“É melhor você não ter nada a ver com isso,” Sam, o cozinheiro, disse.
“É melhor você ficar bem longe disso.”
“Se não quer não vá,” disse George.
“Se meter nessa história não vai te levar a lugar nenhum,” disse o cozinheiro. “Você fique fora disso.”
“Eu irei vê-lo,” Nick disse a George. “Onde ele mora?”
O cozinheiro virou-se.
“Garotos sempre sabem o que eles querem fazer,” ele disse.
“Ele vive na pensão dos Hirsch,” George disse a Nick.
“Eu irei até lá.”
Do lado de fora a luz do luminoso brilhava por entre os galhos pelados de uma árvore. Nick subiu a rua acompanhando os trilhos do bonde e virou no próximo luminoso para uma rua lateral. Três casas subindo a rua era a pensão dos Hirsch. Nick subiu os dois degraus e tocou a campainha. Uma mulher veio à porta.
“O Ole Anderson está?”
“Você quer vê-lo?”
“Sim, se ele está”
Nick seguiu a mulher pelas escadas até o final de um corredor. Ela bateu na porta.
“Que é?”
“É alguém que quer vê-lo, Sr. Anderson,” disse a mulher.
“É Nick Adams”
“Entre”
Nick abriu a porta e entrou no quarto. Ole Anderson estava deitado na cama vestido. Ele foi um lutador peso-pesado de luta-livre e era muito grande para aquela cama. Ele deitava com sua cabeça em dois travesseiros. Ele não olhou para Nick.
“O que é?” ele perguntou.
“Eu estava no Henry´s,” Nick disse, “dois camaradas entraram e amarraram eu e o cozinheiro e eles disseram que iriam te matar.”
Isso soou bobo quando ele disse. Ole Anderson não disse nada.
“Eles nos puseram na cozinha,” Nick prosseguiu. “Eles iriam atirar em você quando entrasse para jantar.”
Ole Anderson olhou para a parede e não disse nada.
“George achou melhor eu vir até aqui e te avisar.”
“Não há nada que eu possa fazer sobre isso,” Ole Anderson disse.
“Eu te digo como eles eram.”
“Eu não quero saber como eles eram.” Ole Anderson disse. Ele olhou para a parede. “Obrigado por vir me contar.”
“Ta tudo certo.”
Nick olhou para o grandalhão deitado na cama.
“Você quer que eu vá chamar a policia?”
“Não,” disse Ole Anderson.
“Há algo que eu possa fazer?”
“Não, não há nada a fazer.”
“Talvez fosse apenas um blefe.”
“Não, não era blefe.”
Ole Anderson rolou para o lado da parede.
“A única coisa é,” ele disse, falando em direção a parede, “Eu não consigo me convencer a sair. Estive aqui o dia todo.”
“Você não pode sair da cidade?”
“Não,” disse Ole Anderson. “Eu estou acabado com tudo isso que vem acontecendo.”
Ele olhou para a parede.
“Não há nada que possa ser feito?”
“Não dá para arranjar uma saída?”
“Não. Eu errei.” Ele falou com a mesma voz modulada. “Não há nada que se possa fazer. Daqui um tempo eu vou me convencer a sair.”
“Melhor eu voltar e falar com George,” Nick disse.
“Até mais,” disse Ole Anderson. Ele não olhou para Nick. “Obrigado por vir.”
Nick saiu. Enquanto ele fechava a porta ele viu Ole Anderson com todas suas roupas deitado na cama olhando para a parede.
“Ele ficou na cama o dia todo,” a proprietária disse lá embaixo. “Eu acho que ele não se sente bem. Eu disse a ele: ‘Sr. Anderson, o senhor deve sair e dar uma caminhada em um belo dia de outono como este,’ mas ele não estava afim.”
“Ele não quer sair.”
“Fico chateada que ele não se sente bem,” a mulher disse. “Ele é um homem muito bom. Ele era lutador, você sabe.”
“Eu sei disso.”
“Você jamais saberia exceto pelo jeito como a cara dele é,” disse a mulher.
Eles ficaram conversando bem perto da porta da rua. “Ele é muito gentil.”
“Bom, boa noite Sra. Hirsch,” disse Nick.
“Eu não sou a Sra. Hirsch,” a mulher disse. “Ela é a dona do lugar. Eu só tomo conta para ela. Eu sou a Sra. Bell.”
“Bom, boa noite Sra. Bell.” Disse Nick.
“Boa noite,” a mulher disse.
Nick andou pela rua escura até a esquina do luminoso e então acompanhou os trilhos do bonde até o restaurante Henry´s. George estava lá dentro, atrás do balcão.
“Você viu o Ole?”
“Sim,” disse Nick. “Ele está em um quaro e não quis sair.”
O cozinheiro abriu a porta da cozinha quando ouviu a voz de Nick.
“Eu não ouvi isso,” ele disse e fechou a porta.
“Você falou para ele?” George perguntou.
“Claro.” Eu falei para ele, mas ele sabe do que se trata.
“O que ele irá fazer?”
“Nada.”
“Eles irão matá-lo.”
“Eu acho que vão.”
“Ele deve ter arrumado alguma encrenca em Chicago.”
“Eu acho que sim,” disse Nick.
“Mas que situação do cacete”
“Realmente horrível,” disse Nick.
Eles não falaram nada. George pegou uma toalha e enxugou o balcão.
“Eu imagino o que ele fez?” Nick disse.
“Ele trapaceou alguém. É por isso que eles matam.”
“Eu vou sair dessa cidade,” Nick disse.
“Sim,” disse George. “Essa é uma boa coisa para se fazer.”
“Eu não consigo me acostumar com a idéia dele esperando no quarto e sabendo o que irá acontecer. Isso é desgraçadamente horrível.”
“Bem,” disse George, “você faz melhor se não pensar nisso.”
Segue o link do texto original, umas fotos do filme do Beto Brant e umas de Chigaco nos anos 20 do século passado, época desse conto.
http://www.geocities.com/cyber_explorer99/hemingwaykillers.html

 
autor: Sexto
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Sábado, Junho 07, 2008
“Só creio naquilo que está ao alcance do meu cuspo.”
Esta é a primeira vez que escrevo um texto no blog em mais de uma etapa. Sempre que inicio um texto já tenho a idéia absolutamente completa em minha cabeça, sei exatamente onde quero chegar e qual será a conclusão da coisa, pode haver algumas pequenas idéias durante a criação, que podem ser boas, e ai acabam fazendo parte do todo, mas o objetivo principal está absolutamente definido. Então o texto sempre vira post no segundo seguinte ao ponto final. Depois incluo umas imagens se for o caso. O processo sempre é, ou era, esse.
Não é o caso agora. Só sei de onde quero partir e é dessa frase estupenda do Carlos Heitor Cony, mas vou ter que inventar alguma coisa a partir dela. Não sei exatamente o que. Veremos. O Ventre é o nome do romance onde está essa frase, esse romance tem uma história interessante digo não a história que ele conta, que de fato é interessante, mas o que aconteceu com ele. Mas o que interessa é a frase.
Agora vou para casa comer algo e ler Noite na Taverna. Tenho que bolar algo para esta frase.
Agora eu vou, chove muito aqui. - Solfieri, aguarde-me antes de encher os copos.
Não pensei em nada, como um cético pode crer no que está ao alcance do seu próprio cuspo? Um cético, como eu, sexto, não crê em absolutamente nada, independente do raio de alcance de seu cuspo, mas a frase é fantástica, a continuação dela também é, mas não me lembro de cor, a continuação diz que "o resto é cristianismo e...." não lembro do que vem após o "e".
Darei uma cusparada agora, vamos ver onde cairá e poderei dizer se creio ou não. rraschussssspp (isso foi um cuspo). Verificarei com cautela onde cada perdigoto pousou e então direi, acredito, não acredito, como um bem-me-quer nas folhas da margarida.
Bertran, não inicie suas divagações etílicas sem minha presença. -Taverneira não vez que os copos estão vazios.
Perdigotos espalham-se juntamente com a minha total descrença, nas coisas, no homem, na verdade inabalável, mas pelo menos dei uma cusparada em coisas que apesar de não serem o que parecem ser as vezes enchem. Neste absoluto momento o computador me agrada, mas dez minutos atrás, quando mandava um e-mail inútil para meu chefe somente para cumprir tabela me incomodava. O cuspo o tangiu! À ele, á mesa, á persiana (belo nome para um objeto tão simples) tudo que não existe de fato está a minha volta!
Gennaro, teus devaneios nos exibirão a origem desse seu pavor pela altura e escuridão! Deixe de poesia e romantismo, vamos ao que queremos...
Mergulho de tal forma na esfumaçada noite da taverna que me desvio do mote deste post, mas apesar do ultra romantismo de meus amigos de taverna continuo sem crer em nada, quanto mais nesse amor louco que leva aos extremos do comportamento, morte, aqui jaz a miséria humana essa sim presente mas não posso crer nela pela impossibilidade de ser tocada pelo meu cuspo.
Claudius Hermann tua desgraça não é pior que a de outros levanta-te ou estas tão ébrio que não podes levantar? Quer que o louro conte o final de tua miséria?
Apesar da frase, eu não acredito em nada, consciente e claramente, o que existe ou não, pertence ao ego, é idiossincrasia, nada existe de fato, nada nem o ser nem o nada. Quem fala agora? Joahnn tua história é a mais dura, deixa-me incredulo. Tudo se acaba na miséria da existência.
Giórgia, tinha que haver uma mulher para que a tragédia da existência se completasse, seus anos se foram e nossa vida...
Alvares e a trágica taverna!
FIM do Post. 29/5/08
autor: Sexto
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Domingo, Junho 01, 2008
Em 1991, lembro perfeitamente deste acontecimento, eu lia o suplemento letras do jornal folha de São Paulo, que como todos os jornais, é tendencioso, mas que serve de alguma coisa às vezes. Deparei-me com um artigo do Regis Bonvicino falando a respeito de um livro póstumo (la vie em close) de um poeta que eu conhecia superficialmente a época, esse poeta é o Paulo Leminski (já falei dele anteriormente), o texto era nitidamente de amigo, digo o Regis era amigo do Paulo ou parecia, fui lendo, caminhando pelo artigo que de quando em quando trazia excertos de poemas (excelentes) fui ficando cada vez mais interessado até me deparar com o seguinte poema:
“Suprassumos da quintessência”:
“O papel é curto
viver é comprido
Oculto ou ambíguo,
Tudo o que digo
Tem ultrassentido
Se rio de mim
me levem a sério
Ironia estéril?
Vai nesse ínterim
meu inframistério”.
Por causa desse poema, no dia seguinte comprei o livro e depois comprei muitos outros deste poeta que faz parte da minha vida, seu texto povoa meus pensamentos até hoje, porque eu acredito que algo que lemos com calma e cuidado se incorpora a nossa existência. Outros escritores foram lidos com calma e cuidado mas o Leminski participou de um momento de mudanças radicais na minha vida.
O que me levou a escrever este texto foi o fato de pouquíssimos críticos, curiosos, admiradores e etc... mencionam este poema especificamente, e por eu acha-lo magnífico, decidi publicá-lo aqui e a partir de agora se alguém procurar por ele acabará achando, assim espero.
Grande abraço a todos. E segue um desenho dessa figura impar que foi o Leminski:

autor: Sexto
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Segunda-feira, Agosto 20, 2007
ética estética conduta
genético transfere
ausente fere
presente gere
imagen meio mensagem
incompreensível indecifrável intransponível
morse fonte compilado
quem pode saber o que de fato nos trazem
jogo lógica dado
Concreto
CÓ-DI-GO
O desenho-poema é de Augusto de Campos o texto é do mano aqui!
Demorei mas apareci!
autor: Sexto
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Terça-feira, Dezembro 05, 2006
Nem percebi que tanto tempo se passou entre o último Post e hoje. Tudo bem, não tinha nada de interessante para escrever e não tinha tempo também. Na verdade eu tenho um texto que estou cozinhando aqui na minha cabeça há bastante tempo, mas que ficará para a próxima visto que hoje tenho que escrever sobre uma história em quadrinhos, que seja a primeira de uma série, roteirizada por um tremendo amigo e que não está sendo divulgada aqui por conta desta amizade, mas sim pela qualidade do argumento e (o Klen que me desculpe) pela impressionante qualidade da arte, não conheço o Nelson, mas já sou fã do seu trabalho.
Fazia bastante tempo que eu não via algo inovador, é verdade que não tenho fuçado muito, mas como moro na rua paralela a Devir sempre dou uma olhada no que há de novo e nada tinha me chamado atenção como "O Reino de Doidéra" e a história do Pedralhão. Diga-se de passagem O Reino de Doidéra é um puta nome. Se em Tandera tem Thundercats em Doidéra tem Pedralhão e Flor-da-Paixão. Tem mais, me agrada muito a reengenharia e aglutinação de palavras com a finalidade de criar outras e essa éra de doideiras só poderia chamar-se Doidéra, que sacada!
Quando abri o Link para ler a história foi um choque na primeira olhada, veio imediatamente à mente o quadro expressionista O GRITO do norueguês Munch, analisando mais detalhadamente outros signos foram surgindo e mais traços expressionistas um tanto surpreendentes, depois percebi que não era só o traço, mas a escolha das cores, cada detalhe e é com detalhes que se compõe uma obra de arte. Havia um grupo expressionista alemão no começo do século pássado que tinha como motivação que a arte "expressasse convicções intimas...de modo sincero e espontâneo." Espontaneidade e sinceridade não faltam em Doidéra!
A história é confessional apesar de narrada em terceira pessoa, me lembrou uma frase polêmica do polêmico Pier Paolo Pasolini: "Não há desejo do carrasco que não seja sugerido pelo olhar da vitima." A simplicidade não tira o valor, na verdade dá valor ao texto, a assumida mentira de Pedralhão não diminui em nada o sadismo da flor-da-paixão e nem o olhar de quem quer uma bifa redimi a violência da Flor. Bom, chega de bla bla bla segue o Link de Doidéra para vocês:
http://www.quantaacademia.com/quantoon/doidera.cfm
Essa obra de arte dos quadrinhos foi criada por Pedro Cirne (roteiro) e Nelson Cosentino (arte). Segue uma pequena amostra para dar vontade de visitar o sitio de Doidéra.
E aqui o link da obra toda:
pedralhao.jpg
Entardecer de Emil Nolde
O Grito de Munch
Pode ser viagem minha a comparação com o expressionismo Europeu, ai acima duas importantes obras expressionistas para que vocês tirem suas próprias conclusões.
autor: Sexto
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Sábado, Julho 22, 2006
Lá se foram alguns meses de primeira página para o seu Zé Pilintra e ele nem fez tanto sucesso assim. Depois de falar de paz e amor entre santos e anjos voltaremos 20 anos no tempo. Já falei do Skarnio aqui no sbrog que era a banda punk em que eu toquei contrabaixo durante alguns anos no inicio dos 80's. Naquela época havia outras bandas na cena Punk de SP, algumas prosperaram e resistiram ao tempo e ao jabá das rádios que invariavelmente só tocam bosta com raras excelentes exceções. Dessas bandas havia uma que eu gostava muito e que tive a sorte e o prazer de me apresentar junto com eles por duas ou três vezes uma delas memorável, no Ácido Plástico que era uma igreja pentecostal transformada em bar/espaço para shows ao lado do complexo do Carandiru. No Lambe-Lambe de chamada para o grande concerto estavam LOBOTOMIA, SKARNIO e nossos ídolos maiores OLHO SECO!!!!! Essas bandas e mais o RATOS DE PORÃO compuseram músicas que eu escuto até hoje e que apesar de sua suprema simplicidade de acordes e arranjos ainda me causam alguma emoção. Todo esse bla bla bla é para chegar a uma música do lobotomia gravada em seu primeiro disco em 1986 e que impressionantemente é atualíssima neste exato momento, exatos, exatos mesmo 20 anos depois, pois o disco foi gravado entre março e julho de 86. A música denuncia uma guerra estúpida que se perpetua e se retroalimenta sem que muitos de nós compreenda porque. O Líbano será destruído novamente. Segue a letra, gostaria muito que vocês pudessem escutá-la, estou com o LP na vitrola tocando! A música chama-se POLÍTICA SIONISTA.
Sob um pretexto pacifista
Exterminam civis a sangue frio
São as vidas humanas sempre pagando
Pelos lucros de uma guerra sionista
Política sionista de uma guerra racista
Guerra sionista de políticos fascistas
Assassinos de bandeira defensiva
Escolhem suas vitimas palestinas
Bombardeando Beirute
Recobrindo o Líbano de sangue
Política sionista de uma guerra racista
Guerra sionista de políticos fascistas
Ostentando um fanatismo religioso
São utilizados como instrumento
Para manter interesses econômicos
E servir como uma base militar
Política sionista de uma guerra racista
Guerra sionista de políticos fascistas
Tudo isso me faz lembrar de um livro do Marx chamado O 18 brumário que tem a celebre frase: A HISTÓRIA SE REPETE DA PRIMEIRA VEZ É UMA TRAGÉDIA DA SEGUNDA UMA FARÇA. Aqui me parece que a história repete-se fielmente como tragédia nas duas oportunidades.
Apesar de não acreditar nisso, espero que não haja guerra visto que o Líbano não tem como se defender.
Alguem acha que essa pessoas querem saber de guerra, essa mesquita é no cambuci, bairro onde eu moro.
Essa destruição desnecessária foi ontem no Líbano.
Fala sério, que soldado iria querer saber de guerra com ela.
P.S. Recomendo a leitura do Le Monde Diplomatique em geral e especificamente de dois textos sobre a situação dos Palestinos no Libano. Segue o link: http://diplo.uol.com.br/_Marina-da-Silva_
autor: Sexto
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Sábado, Abril 15, 2006
O encontro entre Zé Pilintra e a Anja.
Visto que anjo não tem sexo ou tem os dois conforme a preferência do freguês, Pilintra já determinou que esse aqui é fêmea e das boas. Tudo começou com uma mudança, parece-me que tudo começa ou recomeça ou transinicia-se com algum tipo de mudança. Nascimento, morte e outras coisas mais mundanas: Viagem, novo amor, novo endereço ou seja lá o que for.
O que sabemos é que o que será narrado a seguir aconteceu mesmo.
Seu Pilintra estava lá de terno branco, sapato bicolor vermelho e branco, chapéu panamá com um a tira vermelha de cetim, seu cigarro e ainda com um sarro de cachaça no paladar devido ao samba de ontem que foi até a madrugada. Nunca deixava de guardar pela segurança daquela casa e daquela família, mas naquele dia percebeu uma presença inquietante logo ali em frente, uma fêmea madura com ar angelical e cara de criança e pensou, essa dona quer festa, é do tipo que se faz de difícil, mas lá no fundo tem uma pomba gira vibrante e sensual e eu vou bota ela pra fora, ah se vou.
Esse vestido acabrunhado e essa harpa tão querendo se torná minissaia e viola de samba, se tão!(a cacofonia é boa)
- Ô dona, saindo daqui não quer ir lá para as bandas da lapa come uma farofa feita na gordura de porco e escuta música da boa?
- Seu moço o senhor não está querendo me levar para o mau caminho não né? Porque eu tenho que cuidar dessa casa dia e noite, minha sina, digo minha missão é proteger essa família.
- Mas ora, a minha também é proteger essa outra aqui do outro lado, mas isso não impede de tomá uma branquinha e sacudir os esqueleto dona.
Pilintra mantinha seu olhar penetrante e sacana direto no olho da tal anjinha, ela já dava sinais de curiosidade pelo lado bom da vida.
- Mas como é o nome do Sr. mesmo.
- Zé Pilintra. Tem gente que me chama de Pelintra, mas eu memo prefiro Pilintra!
Responde seu Pilintra com sua voz quase rouca e fazendo cortesia com o chapéu!
- Mas não tem perigo lá não?
- Perigo, mas que perigo, além de ser bom demais, divertido demais a Srta estará em companhia de seu Zé Pilintra protetor das almas, das entradas e da noite, Exu de alma Iluminada que só faz o bem!
- Mas já me disseram que o senhor pode fazer mal para as moças. Disse a anja com ar dissimulado de quem quer esconder sua curiosidade.
- Quem te disse coisas assim está querendo causar intriga, Pilintra é do bem, só ensina as coisas boas e prazerosas da vida. Vamo lá que hoje na Lapa vai rolar um sambão ajeitado.
- Então tá, assim que dormirem nós partimos, mas tenho que voltar logo. Disse a anja entre a excitação da curiosidade e o tremor do receio.
- Não te preocupe que deixarei a Maria Bonita cuidando das duas portas, aqui coisa ruim não entra porque ela derruba.
Partiram no inicio da madrugada, a anja ao escutar o batuque jogou sua harpa de lado, arregaçou aquela saia incomoda e entrou para a roda, Pilintra tomou uminha, serviu uminha para a anja assim que ela parou de sambar e a cena se repetiu toda à noite, samba cachaça logo estavam aos beijos.
No dia seguinte ao amanhecer levantara-se do monte de capim onde dormiram e seguiram juntos para cuidar de suas responsabilidades ao chegarem a porta das casas ouviram Maria Bonita dizer:
- Serei madrinha dos gêmeos que irão nascer, o anjo e o orixá.

Cada um na sua após noite de prazeres!
Valeu Doug pela idéia e que os exus e anjos continuem amantes e se eles existem que nos protejam!
autor: Sexto
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Terça-feira, Janeiro 31, 2006
Um dia eu prometi a um amigo escrever sobre o Hassidismo aqui no meu sbrog e pesquisei muitas coisas, mas quase todas tinham um aspecto cientifico que não me agradavam, pois todos os textos que eu li partiam do principio ou que você era judeu ou um iniciado no assunto e eu particularmente não sou um nem outro, portanto os textos eram um tanto quando herméticos e necessitaram de muita pesquisa paralela para serem compreendidos. Não quero dizer que só trato de superficialidades aqui neste espaço, mas de uma forma ou de outra o texto aqui no sbrog tem que ser cativante, portanto inteligente (pretensão da porra!!!), rápido, porque os malucos que vem aqui estão sempre com pressa e didático, quando for necessário.
Seguem algumas informações que julgo importantes. (pelo menos para mim).
1-Hassidismo: Movimento que, baseado na cabala, popularizou e humanizou o Judaísmo, o transformando em uma religião multicultural.
2- Sou ateu e grande admirador de Jean Paul Sartre e Sartre não disse que os outros são o inferno, mas sim que o inferno são os outros num sentido psicanalítico que quando fora de contexto não significa exatamente o que ele quis dizer.
3- Podemos discordar de um bom texto e concordar com algo pessimamente escrito, ou nenhuma das anteriores.
4- Se eu fosse inteligente, sábio e religioso o suficiente escreveria esse texto para presentear um amigo inteligente, sábio e nem tão religioso assim.
5- O Nazismo, odioso, não é nem nunca foi uma religião, mas sim um momento político aproveitado por um facínora maluco. Os homens fazem coisas inimagináveis pelo poder. Cito Schopenhauer novamente: "O homem está pronto a sacrificar tudo quanto não é ele mesmo, a aniquilar o mundo inteiro, ainda que não seja senão para conservar um instante a mais o seu ego, essa gota no oceano".
Bom divertimento!!!
O HASSIDISMO COMO VISÃO DE MUNDO
Davi Bogomoletz
Todo mundo conhece a história de Adão e Eva. Estavam os dois no Paraíso, estava tudo bem, chegou a serpente, convenceu Eva de que o fruto da Árvore do Saber não matava ninguém, Deus é que tinha ciúme de quem o comesse, pois se tornaria igual a Ele, e Eva comeu e deu um para Adão também, que não viu por que não comer, se Eva estava comendo e continuava inteira. Abriram-se os olhos de ambos, e viram que estavam nus, envergonharam-se e correram para se esconder atrás da moita, pois Deus vinha vindo, passeando que estava à brisa do entardecer. Chegando ao local onde o casal costumava ficar, e não os encontrando, Deus perguntou: "Adão, onde estás?"
O comandante da prisão onde Rabi Shneur Zalman de Liady, fundador do Chabad, estava encarcerado por calúnia das autoridades judaicas, era um homem culto e bastante sensível. Ficou impressionado com o ar majestoso de seu prisioneiro, e um dia, bom cristão que era, entrou em sua cela para fazer-lhe uma pergunta."Como se explica que Deus, sendo onisciente e onipresente, precisasse perguntar a Adão 'onde ele está'? Será que Deus realmente não sabia? Gostaria muito de entender isto, mas não consigo.
"Disse-lhe o velho rabino: "Deus perguntou a Adão 'Onde estás?' não porque não o soubesse. Deus não queria saber onde Adão estava. Deus queria que Adão tomasse consciência de onde ele estava, agora, depois de ter cometido a transgressão. E essa pergunta não vale só para Adão - ela vale para cada um de nós, ao longo de toda a nossa vida, e ao longo de todas as gerações."Assim, logo de saída, o tzadík nos explica há duzentos anos atrás por que a Toráh, entregue ao povo judeu há precisamente 3312 anos (segundo anúncio publicado ontem em O Globo pela filial carioca do movimento por ele fundado na Polônia), continua sendo esse livro fundamental para a nossa vida cotidiana aqui (no Rio de Janeiro) e agora (3312 anos depois).PORQUE O QUE ESTÁ ESCRITO NÃO É O QUE ESTÁ ESCRITO.O QUE ESTÁ ESCRITO É O QUE NÓS ENTENDEMOS DO QUE ESTÁ ESCRITO.O texto é infinito, porque o homem que o lê é infinito, assim como o Deus que o escreveu. Por isso é preciso tomar consciência: Porque se fôssemos finitos saberíamos sempre 'onde estamos', e não seria necessário perguntar nada. A ninguém.Para o Judaísmo não hassídico tudo isto é óbvio. Não é exatamente ignorado, simplesmente é deixado de lado. Pois para o Judaísmo não hassídico ao homem não cabe fazer perguntas. Um rabino não-hassídico não teria respondido ao funcionário russo da mesma forma. Ele teria dito algo como: "Deus sabe o que faz, e não nos cabe questionar os Seus métodos".Do ponto de vista hassídico, embora não nos caiba questionar os métodos de Deus, nos é dada a liberdade de tentar entendê-los tanto quanto possível. O Judaísmo não hassídico também considera que o homem é infinito, mas não perde muito tempo com isso. Já para o Judaísmo hassídico, esta é uma dimensão essencial e de importância sempre presente do ser humano. Pois somos infinitos. Cada um de nós. Cada um de nós que habitamos o planeta Terra.A beleza do Hassidismo está nesta percepção da infinitude. Foi daí que Buber extraiu a idéia do Tu - um tu infinito, que não pode ser conhecido inteiramente. Segundo Buber, as coisas concretas podem ser conhecidas a ponto de não precisarmos ficar perplexos com elas. Os seres humanos, não.Quando nos relacionamos com um outro ser humano sem essa dimensão de perplexidade, sem esse sentimento de estranheza, sem nos darmos conta de que estamos diante de algo grande demais para conhecermos inteiramente, nesse momento estamos nos relacionamento com uma 'coisa', não com um 'ser'. Quando queremos que esse outro seja como nós o concebemos, esquecemo-nos de levar em conta que ele é como é (mesmo que ele próprio nunca saiba como é), e o transformamos em coisa. Quando alguém evita pensar e formular as próprias opiniões, adotando as de outro, transforma a si mesmo em coisa.A religião é um paradoxo: ao mesmo tempo é preciso ouvir, aceitar a tradição, e pensar, inovar a tradição. Os que apenas seguem a tradição colocam-se na condição de 'coisas', não de 'seres'. Os que apenas formulam as próprias idéias e evitam ouvir a tradição saem fora do contexto da religião. Os que ouvem o que diz a tradição e com base nisso criam novas possibilidades estão exercendo a sua dimensão infinita.Se Deus existe e criou o homem, mas não desejava um homem infinito, teria criado 'coisas' e não homens capazes de transgredir. Ao criar um Adão capaz de transgredir Deus não estava cometendo um equívoco. Estava deixando claro que só assim teria algum valor o gesto de aceitação, o gesto que não é uma transgressão. Se a transgressão não existisse como possibilidade, o ato reverente não teria qualquer valor. Se não existisse o Nazismo, o Judaísmo não teria valor algum. O Judaísmo é a prova de que, se a Humanidade pode produzir algo como o Nazismo, não produz apenas Nazismo.A Toráh deixa isto claro logo no início, quando Abrahão coloca-se em pé, acima dos três viajantes que ele convidou para se alimentarem e descansarem em seu acampamento. Os rabinos entenderam muito bem a indireta: Se os três viajantes eram anjos, Abrahão mostrou-se mais valioso que eles: Colocou-se acima deles. E como? Sendo generoso. Sendo generoso com estranhos. Servindo-lhes uma refeição, e servindo-os com as próprias mãos. É assim que nos tornamos superiores, até superiores aos anjos, diz a Toráh: quando ficamos em pé e deixamos os que estão cansados sentarem. Quando damos a quem tem fome uma parte do nosso alimento. Quando não perguntamos primeiro aos viajantes "Quem sois vós", para só então, dependendo da resposta, lhes oferecermos descanso e comida. Tornamo-nos superiores aos anjos quando as necessidades dos estranhos são satisfeitas em primeiro lugar.ESTRANHOS. DESCONHECIDOS. PESSOAS QUE NÃO CONHECEMOS.TUEHEYÉH ASHER EHEYÉH,diz Deus, quando Moisés Lhe pergunta por seu nome. "SEREI AQUELE QUE SEREI", diz Deus. Ou, numa tradução menos literal, e a meu ver mais precisa, "SEJA EU QUEM FOR". A dimensão infinita de Deus está dada aí, nessa resposta aparentemente "malcriada", em que Ele praticamente diz a Moisés: "Deixa de fazer perguntas idiotas. Meu nome não importa, importa apenas a minha existência." Deus diz: "Sou um estranho, e jamais me conhecerás."Essa mesma resposta já está implícita num momento bem anterior, quando Abrahão recebe desse Deus a ordem de ir até um lugar desconhecido ("que Eu te mostrarei"...), e ali sacrificar o seu filho. O seu filho único. O seu filho amado. Isaac. Sim, porque Abrahão tinha dois filhos, cada um "único" para a sua mãe, e cada qual amado. Mas era através de Isaac que a mensagem de Deus seria levada adiante, não através do outro filho, e eis que agora esse Deus tão esquisito lhe pede que sacritique justamente a ESTE, a este do qual depende justamente a divulgação para a Humanidade de que esse Deus EXISTE. Abrahão ouve e nada diz, e trata-se de um dos silêncios mais retumbantes de toda a literatura universal. A mudez de Abrahão ao longo de todo o percurso só é quebrada quando seu filho, a caminho do sacritício, lhe pergunta: "Pai, aqui estão a faca e o fogo, mas onde está o cordeiro?" E nesse momento Abrahão dá uma resposta que é um exemplo magnífico de como fé, dúvida, aceitação, revolta, indignação, humildade, amor, ódio e indiferença podem estar rugindo ao mesmo tempo numa única alma humana: "Deus verá para si um cordeiro, meu filho." E continuam a andar ambos juntos.Nesse episódio do quase sacrifício de Isaac, Abrahão defronta-se com o infinito de Deus, impossível de ser compreendido. Com o infinito de Isaac, dono de um destino próprio, impossível de ser evitado pelo pai. E com o infinito de si próprio, pois vê-se prestes a realizar um ato que ele jamais imaginaria fazendo parte das suas próprias possibilidades. Um pai que vai conscientemente matar um filho não é um ser compreensível. Um filho que vai ser morto pelo pai em vez de dar continuidade à sua estirpe não é um ser compreensível. Um Deus que ordena ao pai que mate o filho POR AMOR não é um Deus compreensível.A situação é traumática. Tão traumática para esses indivíduos, confrontados com a perda inexorável, quanto o episódio do Monte Sinai, o confronto com a presença inexorável, o será depois para todo o povo. Nesses dois momentos o infinito se abate com toda a sua violência sobre os nossos antepassados, e os ecos desses cataclismas nos sacodem até hoje.TU o infinito da dimensão humana é o que dá ao indivíduo humano toda a sua criatividade. O infinito da dimensão humana é o que dá a cada indivíduo a sua singularidade, transformando-o num caso único e irrepetível dentro da história da Humanidade.E a Toráh nos ensina essas lições desde o início. As idéias de infinito, de singularidade e de individualidade estão lá desde o início.Dizem que a Toráh é um livro de leis. E que as leis servem para comprimir o indivíduo dentro de um código que o submete ao coletivo.Não: As leis servem para que os seres humanos, individuais, singulares e infinitos consigam minimamente se entender e viver próximos uns dos outros. A intenção das leis não é oprimir a singularidade do indivíduo, é libertar o indivíduo abrindo sua consciência para a singularidade do outro. Pois, como diz Buber, é muito mais fácil - mas ao mesmo tempo muito mais pobre - relacionar-se com coisas em vez de com seres humanos. O Nazismo é a religião que ensina a relacionar-se com coisas. Cada um é uma coisa, acabada, conhecida, sem perplexidades nem idéias novas. "1984" é o livro que conta como seria o mundo caso o Nazismo houvesse prevalecido. Uma linda fábula.Nós, judeus, recebemos de herança essa outra visão de mundo, que o Nazismo queria exterminar: Na nossa visão de mundo cada ser humano é infinitamente valioso e importante. Do ponto de vista judaico Sartre estava errado: Os outros não são o inferno, como disse ele. Os outros são a nossa possibilidade de viver uma vida realmente humana.Foi esta Toráh que recebemos no Sinai, há 3312 anos atrás, e é nessa Toráh que ainda hoje encontramos idéias novas, capazes de nos fazer entender de modo sempre novo a profundidade da existência humana. Buber, quando escreveu seu trabalho sobre o Eu e o Tu, não estava realmente inovando, estava dando nome a algo que na Toráh já estava implícito há muitos séculos: O homem não é uma 'coisa', o homem é um 'fenômeno' - algo que vemos mas que não vemos por inteiro.A assim chamada 'percepção do outro' depende inteiramente disto. Não podemos perceber o outro se imaginarmos que somos capazes de conhecê-lo. Pois nesse caso ele não será 'outro', ele será 'isto' - uma 'coisa'. Hoje em dia fala-se muito da necessidade de 'perceber o outro', da importância da 'alteridade', da fundamental necessidade de aceitarmos o 'não saber'. Todas as três expressões são centrais nisso que se chama o 'pós moderno'. Pois a Toráh já é 'pós moderna' há muitos e muitos séculos. Nela a aceitação do não saber e a percepção do outro são fundações, não conclusões. Abrahão era um peregrino, que veio do outro lado do rio. Moisés era um homem gago, impaciente, fugitivo. O primeiro "templo" judaico é um pé de sarsa, um arbusto espinhento que nem as cabras apreciam.Claro, o 'establishment' judaico afastou-se dessa simplicidade primordial. E foi a essa simplicidade primeva e a essa complexidade infinita que o Hassidismo paradoxalmente acabou voltando, ao surgir. O próprio 'establishment' hassídico afastou-se tanto de uma quanto da outra. Mas aí está a imperfeição humana - filha da infinitude e da singularidade - que tornam a História uma eterna sucessão, um eterno crescimento. Como na história do indivíduo: se você é hoje igual a quem era ontem - significa que não aprendeu nada.
  
autor: Sexto
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Segunda-feira, Janeiro 30, 2006
A violenta história dos pequenos cravos vermelhos:
Rodrigo era um cara trabalhador, pacato, curtia sua família e era um pai e marido muito protetor. Tinha duas filhas e também gostava de jardinagem e capoeira, esporte-dança-luta que praticava a mais de 20 anos e, portanto, era literalmente um mestre, conhecia truques e artimanhas e principalmente a filosofia de paz e compreensão. Cultivava cravos vermelhos!
Sua filha mais velha acabava de completar 16 anos e ele andava um tanto enciumado com seus namoros, mas quando pensava serenamente concluía que está era ordem natural das coisas e como conservador que era pedia a esposa que desse uns conselhos a menina, mas era ao mesmo tempo um homem de seu tempo e pedia para a mulher falar sobre prevenção de DSTs, gravidez e etc...
As coisas caminhavam pelos trilhos até o dia que Raquel, sua filha mais velha, chegou em casa tremula e disse que um homem a seguiu na rua, lhe disse obscenidades e tentou agarrá-la a força o que a deixou muito assustada.
Seu pai ficou puto, queria sair de casa na hora e ir atrás do filho da puta sem nem mesmo perguntar como o desgraçado era, como estava vestido ou qualquer coisa que o permitisse identificar o animal.
A partir dessa data o pai começou a acompanhar a filha por todos os lugares, mas ele sentia que ela havia perdido algo importante, sua liberdade, sua chance de ser independente e depois de algum tempo afrouxou e deixou ela sair sozinha, dois dias depois o maluco atacou novamente e por obra do acaso não estuprou a menina num terreno abandonado.
Quanto o homem já havia tirado a blusa da moça e mordia seus ombros e orelhas um cão apareceu no terreno e começou a rosnar para os dois o homem amedrontou-se e resolveu correr, porém sua vitima o reconheceu.
Raquel voltou para casa em estado de choque, seu pai desesperado a levou a um hospital, registrou queixa na policia, fez exame de corpo de delito e todas aquelas babaquices que não levam a nada, mas prometeu que ele mesmo ia falar de perto com o FDP.
O agressor era um homem "honrado" todos o conheciam no bairro por ser um empresário de renome e muitos preferiram duvidar da história da menina, mas não Rodrigo, ele conhecia sua filha e não deixaria que isso acontecesse novamente.
O facínora desapareceu por um bom tempo.
A vida voltou quase a normalidade para todos. A partir de então a menina só andava acompanhada e de vez em quando tinha que ir a delegacia prestar depoimentos. O agressor, também tinha contato sua história, que lhe eximia de quase toda a culpa a não ser o fato de ter uma relação consentida com uma menor, pelo menos era isso que ele afirmava e esta a linha de defesa adotada por seu advogado.
O tempo passou, mas Rodrigo havia prometido que isso não ocorreria novamente e foi destilando um ódio pelo agressor de sua filhinha que o levou a fazer o pior, mas se fosse verdade o que a menina dizia e ele acreditava que era, era o melhor a fazer, nenhum FDP que havia deixado marcas de dentadas na sua filha teria a chance de faze-lo novamente.
Foram três chutes certeiros na têmpora direita que levaram o agressor de sua filha para um coma prolongado e a morte.
Rodrigo apresentou-se a policia confessou o homicídio e hoje aguarda seu julgamento em liberdade certo de que fez o que era correto.
Dois pequenos cravos vermelho florescem sobre o tumulo.
Os Cravos, o Túmulo (túmulo de rico é ridículo) e Miró, só porque é chocante, no sentido literal da palavra.
autor: Sexto
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Quinta-feira, Novembro 24, 2005
Mais desarmamento!!!!!!!!!!!!!!!
Faz muito tempo que não tenho tempo ou assunto para passar por aqui, já tive muita vontade de escrever sobre a vitória do NÃO no referendo, mas tenho certeza que ia ficar dizendo a mim mesmo: Isso é grito de dor da derrota. Agora que o assunto não está mais em voga e muito fora de moda, resolvi retornar a ele, pois o momento que eu mais esperava chegou, a prestação de contas das campanhas.
Qualquer primeiro-anista de marketing sabe quanto é preciso para se eleger um candidato, o valor varia de acordo com o cargo que ele pleiteia, a fama que ele já detêm, o tempo de exposição espontânea que ele tem na mídia e alguns outros detalhes, mas eleger um candidato tem um preço, calculável com alguma precisão pela ciência do marketing. Daí a corrida de candidatos atrás do dinheiro, seja lá qual for a fonte. Como será ressarcido nós sabemos.
Bom no caso do referendo, agora saberemos claramente de onde o dinheiro dos vitoriosos veio. Como ele será ressarcido? Com o nosso bem mais valioso, nossa vida. Triste, mas verdade.
Segue um artigo do jornalista Josias de Souza, até onde sei, homem digno e jornalista isento de vínculos com qualquer das partes, nesse artigo publicado em seu blog ele só declara fatos, em breve a prestação de contas das campanhas deverá estar disponível no sitio do TSE.
Mais um alerta, a proporcionalidade entre a quantidade de dinheiro investido em cada campanha e a diferença de votos não é mera coincidência é motivo de estudo do marketing também. O fato de uma das fábricas ter sede no RS também influenciou a votação neste estado e etc...
No mais, é muito fácil alguém nos convencer a achar bom algo que vai nos prejudicar! Tipo cigarro, drogas, armas e etc... Mas cigarro e drogas dão algum prazer e as armas?
Daqui pra frente é o artigo:
"Indústria de armas bancou campanha do Não
Vitoriosa no referendo do último dia 23 de outubro, a campanha do "Não", que se opôs à proibição do comércio de armas no país, foi financiada por dois gigantes do comércio nacional de armamentos e munições: Taurus e a CBC (Cia Brasileira de Cartuchos). Juntas, as duas empresas doaram à "Frente do Não mais de R$ 5 milhões.
Segundo o deputado Alberto Fraga (PFL-DF), presidente da "Frente do Não", a CBC foi a campeão de doações, com cerca de R$ 2,6 milhões. A Taurus, segunda maior doadora, contribuiu com cerca de R$ 2,4 milhões. O custo total da campanha do "Não" foi de cerca R$ 5,6 milhões. Terminou no azul. Não sobrou um tostão de dívida.
A contabilidade da "Frente do Sim" exibe realidade bem diferente. Derrotada nas urnas, perdeu também no front da coleta de verbas. Angariou cerca de R$ 2,4 milhões, menos da metade do que foi arrecadado pela frente adversária. Terminou a campanha no vermelho. Amarga uma dívida de cerca de R$ 320 mil. Seus integrantes não sabem de onde vão tirar esse dinheiro.
Terminou nesta quarta-feira o prazo para a entrega da prestação de contas das duas frentes ao TSE (Tribunal Superior Eleitoral). A deficitária "Frente do Sim" cumpriu o prazo. A superavitária "Frente do Não" pediu tempo ao tribunal. Pretende fechar a sua escrituração na próxima semana.
Ouvidos pelo blog, parlamentares que integraram as fileiras do "Não" declararam-se constrangidos ao saber que a campanha foi bancada por indústrias de armamentos. O próprio presidente da Frente, deputado Alberto Fraga (PFL-DF), disse: "Não queríamos isso. Mas o volume de dinheiro era grande e não tivemos como cobrir essas despesas com outras doações".
Fraga acha, porém, que não se poderia esperar coisa diferente: "Quem iria pagar essa conta? Não poderia ser nem a Águas de Lindóia nem a Cervejaria Antárctica. Nossa contabilidade é transparente. Não temos caixa dois. É tudo por dentro. Graças a Deus não ficamos com dívidas."
Secretário-geral e tesoureiro da ¿Frente do Sim¿, o deputado Raul Jungmann (PPS-PE), pensa de outro modo: "Fica comprovado que os que foram favoráveis ao comércio de armas, a pretexto de defender um direito do cidadão, estavam defendendo na verdade o lucro das empresas de armamentos. A máscara caiu."
As doações à campanha do "Sim" foram mais diversificadas. Alguns exemplos de doadores: Ambev, com cerca de R$ 400 mil; CBF (Confederação Brasileira de Futebol), R$ 100 mil; e Prestadora de Serviços Estruturar, R$ 400 mil.
A vitoriosa "Frente do Não", integrada por 142 parlamentares, tem reunião marcada para a próxima terça-feira no Congresso. Acompanhado do contador da campanha, Alberto Fraga apresentará os números aos colegas antes de entregar a prestação de contas ao TSE. Segundo ele, 95% do dinheiro arrecadado financiou a produção do programa televisivo da frente, comandado pelo publicitário Chico Santa Rita.
A Taurus é uma das maiores fabricantes de armas do país, com sede no Rio Grande do Sul. Está no mercado há 65 anos. Exporta para 80 países. Possui filial em Miami (EUA). Inaugurada em 1926, a CBC tem sua principal fábrica instalada em Ribeirão Pires (SP). É a maior produtora de munições da América Latina.
Escrito por Josias de Souza às 23h21 http://josiasdesouza.folha.blog.uol.com.br/"
Tentei postar um desenho do Crumb novamente, era o BOBO BOLINSKY! Ele resume quem nós somos, quem quiser ver vá lá pra baixo nesse blog e encontrará o cara mais otário do mundo depois de todos nós.
Valeu!
autor: Sexto
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Sábado, Outubro 15, 2005
Armas
Todo mundo sabe que vou votar SIM, ou seja, sou contra a venda de armas. Porém, e como já repeti mais de mil vezes, sempre há um porém, sei que esta não é a solução final para o problema da violência no Brasil.
Poderia fazer uma lista interminável de argumentos a favor da proibição da venda de armas, assim como conheço pessoas de bem que fariam uma lista interminável a favor da não proibição, portanto seria obrigado a suspender o meu juízo. Para tentar por alguma luz nesse caminho cheio de pedras e não com uma única como no caminho Drumondiano, recorrerei a um centro de pesquisas de reputação inquestionável que é o NEV, núcleo de estudos sobre a violência da USP. "Violência por Armas de Fogo no Brasil". Essa pesquisa é um material cientifico de primeira linha e deve ser lido, como já disse é um trabalho científico, portanto a leitura pode não ser prazerosa, mas garanto, será esclarecedora. O trabalho possui muitos gráficos sobre a distribuição da violência por faixa etária, região geográfica, condição social, sexo e etc...
Quem não tiver paciência para ler tudo, pode ir diretamente a página 156/157 onde os pesquisadores fazem suas recomendações sobre o assunto. Por tratar-se de um texto em PDF, podemos navegar por ele com facilidade, ir aos pontos que nos interessam mais, retornar, verificar os gráficos mais relevantes. Tem um que mostra qual a motivação das pessoas em comprarem uma arma, um percentual importante compraria uma arma para poder intimidar outras pessoas ou para sentir-se mais poderoso, PERIGOSO ISSO!
Bom chega de conversa mole e vamos ao endereço do sitio: http://www.nev.prp.usp.br/
No lado direito da página há um link para a pesquisa.
Quem ainda não viu poderia assistir ao premiadíssimo "Tiros em Columbine" (Michael Moore) que trata do assunto armas e violência a partir de um acontecimento realmente chocante.
Segue mais um desenho imprescindível do Leo Martins!

autor: Sexto
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Sexta-feira, Setembro 23, 2005
"Posso afirmar, sem medo de errar, que se conhece uma pessoa sob efeito de bebida, durante um jogo e na sala de espera de uma UTI."
Quem fez esta afirmação foi o DR. Elias Knobel, diretor da UTI do Albert Eistein em uma entrevista concedida ao NOMINIMO e que eu recomendo enormemente a leitura, tanto da entrevista como de todo jornal. Para quem quiser ler, e todos os minguados amigos que acessam esse sitio devem querer porque é muito bom , segue o endereço: http://nominimo.ibest.com.br.
Talvez eu tenha gostado tanto da entrevista porque concordo com quase tudo que ele afirmou, freqüentemente acordo de madrugada pensando no meu trabalho e não consigo me desligar e etc... (GUARDEM AS DEVIDAS PROPORÇÕES ENTRE O QUE EU FAÇO E O QUE O DR. KNOBEL FAZ E AS RESPONSABILIDADES DE CADA UM).
Outra coisa que achei interessante é que sempre digo em tom de brincadeira (minha avó já me dizia:-toda brincaeira tem um fundo de verdade): "Não se pode confiar num homem que não bebe" e para subsidiar minha afirmação ele diz que a bebida da transparência à pessoa. E vejam quem está dizendo.
Faz alguns dias que estou para escrever a respeito do NOMINIMO, mas ando tão puto com o jornalismo em geral e principalmente com o jornal que sou assinante que fui adiando, mas hoje eles me convenceram que são bons. Claro não dá para acreditar em tudo, os caras fazem propaganda de carro importado, tem que ganhar uma grana né, e ai a independência jornalística vai meio que por água abaixo (como no caso da honestidade feminina, não adianta ser independente tem que parecer independente). Mas em geral os textos são ótimos, os jornalistas estão entre os melhores que conheço (como se minha opinião tivesse alguma importância) e em conseqüência disso temos algo bacana para nos entreter e nos animar nos momentos de desespero.
E mais tem ótimas dicas de artes plásitcas, fotografia, música, cinema e uns desenhos muito bacanas do Leo Martins, como vocês podem constatar abaixo:
 
Valeu?!
autor: Sexto
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Sexta-feira, Setembro 09, 2005
Bronx, as you asked!
Lembro bem de um desenho animado onde o super-herói emitia uns raios a partir de seus olhos e ao final destes raios formava-se uma imagem, eu imaginava que esta imagem era fruto do encontro dos raios emitidos pelos olhos do super-herói com os emitidos pelo objeto que ele mirava. A esta imagem vou batizar fenômeno, pois era mais ou menos assim que os pensadores anteriores a Kleper e Descartes imaginavam que as imagens eram formadas e eu tinha certeza disso até uns 13 ou 14 anos quando vim descobrir via Kepler e Descartes que a coisa não era bem assim, ou melhor, que haviam criado um modelo cientifico que melhor representava a apreensão das imagens pelo nosso sistema sensorial, mas, este objeto visto por nós continuará chamando-se fenômeno. Isso porque o que vemos na verdade não é o objeto em si, mas uma imagem dele, formada seja pelo encontro dos raios de luzes pré-cartesianos ou por qualquer outra idéia científica.
"Quando interpretamos filosoficamente uma física da visão desse tipo, somos levados a considerar que a realidade empírica do objeto não poderia constituir um dado absoluto e que o conhecimento efetua-se relativamente ao sujeito que participa de sua constituição".
Além disso, podemos ser enganados pelas nossas sensações, pois o que de perto pode parecer enorme se observado a uma certa distância pode nos dar a certeza de tratar-se de uma coisa de dimensões ínfimas.
"Se acreditarmos em Tímon, conforme o que indica Eusébio, o fato de constatar que as coisas não manifestam visivelmente ou fenomenicamente qualquer diferença absoluta entre elas e escapam igualmente à certeza e ao juízo que pretende conhece-las absolutamente, permite-nos permanecer sem opinião e sem inclinação, de escapar a todo abalo ou dúvida da alma, de limitar-nos a dizer de cada coisa que ela não é mais isto que aquilo, o que conduz à afasia e à ataraxia" (Eusébio).
Bom até aqui nos referimos a idéias originárias da Grécia antiga, Tímon foi discípulo de Pirro (pai do ceticismo) e viveram em 279 aC.
Para dar continuidade ao "árduo" trabalho de explicar o que é ataraxia avançaremos no tempo e passaremos ao século I aC com os tropos de Enesidemo: O primeiro tropo ressalta a diversidade dos animais e dos órgãos dos sentidos. Ele conclui que as sensações são inerentes ao sujeito que as experimenta. No segundo ele constata que um mesmo homem pode, segundo as circunstâncias, ser diferentemente afetado por um mesmo objeto. O terceiro tropo denuncia a relatividade das circunstâncias, como saúde e doença, sonho e vigília, idade, movimento e repouso e etc... O quarto tropo destaca a relatividade dada pelas posições, distâncias e lugares, como a história das distâncias a que me referi anteriormente.
Existem outros tropos quem quiser saber mais vai ter que correr atrás, mas onde queremos chegar é que não é difícil constatarmos a relatividade dos fenômenos, opondo entre eles as representações presentes e passadas e tirando de seu conflito argumentos que nos levam a suspensão do juízo("É o relativismo filosófico de Enesidemo que melhor contribui para definir a suspensão do juízo como regra não dogmática da vida cética".) e para uma vida tranqüila e silenciosa. Diria uma vida ataraxica.
Mencionarei mais um filósofo que dedicou-se ao ceticismo séculos depois destes que já citei e que está no rol dos meus preferidos: Montaigne. Século XV dC.
"Montaigne reata com a tradição grega(pirrônica): sua convicção é a de um relativismo universal. Ele está intimamente persuadido que o sujeito singular é incapaz de ultrapassar a singularidade de suas impressões e de sua imaginação para alcançar um conhecimento válido universalmente. Considerou que a honestidade o forçava a falar da maneira singular com a qual ele via o mundo através dele mesmo, ao invés de adotar sobre o mundo um ponto de vista universal, decidido e dogmático. É por isso que este autor, que cita tão abundantemente os antigos, declara preliminarmente ser ele mesmo "a matéria de seu livro"; entendamos que, para ele, todo dado é relativo à um sujeito, isto é, aos sentidos e à imaginação particular."Portanto uma verdade universal não existe.
Para finalizar citarei a primeira das Meditações metafísicas de René Descartes, que não era cético, mas bebeu nessas águas e radicalizou a dúvida, duvidando de todas suas próprias convicções para desenvolver sua metafísica.
"Suporei, então, que há, não um verdadeiro Deus, que é a soberana fonte da verdade, mas certo gênio maligno, não menos ardiloso e enganador do que poderoso, que empregou toda sua indústria em enganar-me. Pensarei que o céu, o ar, a terra, as cores, as figuras, os sons, e todas as coisas exteriores que vemos não passam de ilusões e enganos de que ele se serve para surpreender minha credulidade. Considerar-me-ei a mim mesmo como não tendo mãos, nem olhos, nem carne, nem sangue, como não tendo nenhum dos sentidos, mas acreditando falsamente possuir todas essas coisas. Permanecerei obstinadamente apegado a esse pensamento; e, se por esse medo, não estiver em meu poder atingir o conhecimento, de nenhuma verdade, pelo menos estará em meu poder fazer a suspensão de meu juízo. Eis por que cuidarei zelosamente de não receber em minha crença nenhuma falsidade, e prepararei tão bem meu espírito em face de todos os ardis desse grande enganador que, por mais poderoso e astucioso que seja, nunca poderá impor-me coisa alguma.
Mas esse desígnio é árduo e trabalhoso, e certa preguiça arrasta-me insensivelmente para o ritmo de minha vida comum. E, exatamente como o escravo que se comprazia no sonho de uma liberdade imaginaria e que, quando começa a suspeitar que essa liberdade é apenas um sonho, teme ser despertado e conspira com essas agradáveis ilusões para ser mais longamente enganado, assim eu, por mim mesmo, retorno invisivelmente às minhas antigas opiniões e receio despertar dessa sonolência, temendo que as vigílias laboriosas que se sucederiam à tranqüilidade de tal repouso, ao invés de propiciarem alguma luz ou alguma clareza no conhecimento da verdade, não fossem suficientes para aclarar as trevas das dificuldades que acabam de ser tratadas".
Ufa, acho que deu!
Parece ter ficado claro que duvidar de tudo nos leva a algum conhecimento, a conclusão de que é impossível haver uma verdade universal que transcenda as relações entre sujeito e objeto e que isso nos leva a suspensão do juízo, já que não podemos ter certeza de nada e esse estado de tranqüilidade que a dúvida total nos remete é a ataraxia!
"A glória a que aspiro é a de ter vivido tranqüilo [...] em sendo a filosofia incapaz de mostrar o caminho que conduz ao repouso da alma que a todos convém, que cada qual por seu lado o procure." - M. de Montaige - Ensaios
Certo mano!
Quem quiser saber mais visite:
http://www.cfh.ufsc.br/~wfil/dumont.htm
http://www.mundodosfilosofos.com.br/descartes2.htm
http://educaterra.terra.com.br/voltaire/artigos/montaigne.htm
O cara do desenho! Os outros já tem foto neste sbrogsss! Ou nunca terão!
autor: Sexto
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Quarta-feira, Agosto 24, 2005
Mea Culpa
O negócio é o seguinte, ser taxado de analfabeto é realmente muito ruim, principalmente quando você tem consciência de sua condição cultural e intelectual. Gostaria de iniciar dizendo que sou absolutamente normal, longe de mim ser mais qualificado intelectualmente que a média da população, mas por alguma deficiência cognitiva tenho problemas muito sérios quanto à grafia das palavras e minha escrita (a mão) é tortuosa e invariavelmente omito silabas ou letras das palavras que escrevo. Nem por isso deixo de expressar minhas idéias com certo nível de clareza quando estou redigindo algum texto, se não tenho métodos de consulta (dicionários ou editor de textos) disponíveis, inevitavelmente cometerei erros crassos de ortografia. Confesso que não sei se a palavra "jeito" se grafa com "g" ou com "j" e muitas vezes escrevo com "g" e o mesmo acontece com "s", "ss", "ç", "x", "z" e etc. Já escrevi muitas vezes a palavra "peço" com dois esses e fui desmoralizado por isso. Porém, como tenho plena consciência deste problema, me cubro de cuidados para minimizar os erros e suas conseqüências. Como na vida sempre há um porém, muitas vezes quando estou sendo testado, participando de uma prova onde não tenho acesso a estes métodos de consulta, cometo esses erros e sou julgado inapto para determinadas tarefas ou até taxado de analfabeto. Hoje em dia não chega a ser frustrante, mas também não deixa de ser chato. Não estou aqui dando desculpas para meus fracassos, só estou me dizendo que não dá para vencer todas. É isso!
Quem tiver saco leia o texto a seguir, como conhecimento é bem interessante.
O que é Dislexia?
Entender como aprendemos e o porquê de muitas pessoas inteligentes e, até, geniais experimentarem dificuldades paralelas em seu caminho diferencial do aprendizado, é desafio que a Ciência vem deslindando paulatinamente, em130 anos de pesquisas. E com o avanço tecnológico de nossos dias, com destaque ao apoio da técnica de ressonância magnética funcional, as conquistas dos últimos dez anos têm trazido respostas significativas sobre o que é Dislexia.
A complexidade do entendimento do que é Dislexia, está diretamente vinculada ao entendimento do ser humano: de quem somos; do que é Memória e Pensamento - Pensamento e Linguagem; de como aprendemos e do por quê podemos encontrar facilidades até geniais, mescladas de dificuldades até básicas em nosso processo individual de aprendizado. O maior problema para assimilarmos esta realidade está no conceito arcaico de que: "quem é bom, é bom em tudo"; isto é, a pessoa, porque inteligente, tem que saber tudo e ser habilidosa em tudo o que faz. Posição equivocada que Howard Gardner aprofundou com excepcional mestria, em suas pesquisas e estudos registrados, especialmente, em sua obra Inteligências Múltiplas. Insight que ele transformou em pesquisa cientificamente comprovada, que o alçou à posição de um dos maiores educadores de todos os tempos.
A evolução progressiva de entendimento do que é Dislexia, resultante do trabalho cooperativo de mentes brilhantes que têm se doado em persistentes estudos, tem marcadores claros do progresso que vem sendo conquistado. Durante esse longo período de pesquisas que transcende gerações, o desencontro de opiniões sobre o que é Dislexia redundou em mais de cem nomes para designar essas específicas dificuldades de aprendizado, e em cerca de 40 definições, sem que nenhuma delas tenha sido universalmente aceita. Recentemente, porém, no entrelaçamento de descobertas realizadas por diferentes áreas relacionadas aos campos da Educação e da Saúde, foram surgindo respostas importantes e conclusivas, como:
Que Dislexia tem base neurológica, e que existe uma incidência expressiva de fator genético em suas causas, transmitido por um gene de uma pequena ramificação do cromossomo # 6 que, por ser dominante, torna Dislexia altamente hereditária, o que justifica que se repita nas mesmas famílias;
que o disléxico tem mais desenvolvida área específica de seu hemisfério cerebral lateral-direito do que leitores normais. Condição que, segundo estudiosos, justificaria seus "dons" como expressão significativa desse potencial, que está relacionado à sensibilidade, artes, atletismo, mecânica, visualização em 3 dimensões, criatividade na solução de problemas e habilidades intuitivas;
que, embora existindo disléxicos ganhadores de medalha olímpica em esportes, a maioria deles apresenta imaturidade psicomotora ou conflito em sua dominância e colaboração hemisférica cerebral direita-esquerda. Dentre estes, há um grande exemplo brasileiro que, embora somente com sua autorização pessoal poderíamos declinar o seu nome, ele que é uma de nossas mentes mais brilhantes e criativas no campo da mídia, declarou: "Não sei por que, mas quem me conhece também sabe que não tenho domínio motor que me dê a capacidade de, por exemplo, apertar um simples parafuso";
que, com a conquista científica de uma avaliação mais clara da dinâmica de comando cerebral em Dislexia, pesquisadores da equipe da Dra. Sally Shaywitz, da Yale University, anunciaram, recentemente, uma significativa descoberta neurofisiológica, que justifica ser a falta de consciência fonológica do disléxico, a determinante mais forte da probabilidade de sua falência no aprendizado da leitura;
que o Dr. Breitmeyer descobriu que há dois mecanismos inter-relacionados no ato de ler: o mecanismo de fixação visual e o mecanismo de transição ocular que, mais tarde, foram estudados pelo Dr. William Lovegrove e seus colaboradores, e demonstraram que crianças disléxicas e não-disléxicas não apresentaram diferença na fixação visual ao ler; mas que os disléxicos, porém, encontraram dificuldades significativas em seu mecanismo de transição no correr dos olhos, em seu ato de mudança de foco de uma sílaba à seguinte, fazendo com que a palavra passasse a ser percebida, visualmente, como se estivesse borrada, com traçado carregado e sobreposto. Sensação que dificultava a discriminação visual das letras que formavam a palavra escrita. Como bem figura uma educadora e especialista alemã, "... É como se as palavras dançassem e pulassem diante dos olhos do disléxico".
A dificuldade de conhecimento e de definição do que é Dislexia, faz com que se tenha criado um mundo tão diversificado de informações, que confunde e desinforma. Além do que a mídia, no Brasil, as poucas vezes em que aborda esse grave problema, somente o faz de maneira parcial, quando não de forma inadequada e, mesmo, fora do contexto global das descobertas atuais da Ciência.
Dislexia é causa ainda ignorada de evasão escolar em nosso país, e uma das causas do chamado "analfabetismo funcional" que, por permanecer envolta no desconhecimento, na desinformação ou na informação imprecisa, não é considerada como desencadeante de insucessos no aprendizado.
Hoje, os mais abrangentes e sérios estudos a respeito desse assunto, registram 20% da população americana como disléxica, com a observação adicional: "existem muitos disléxicos não diagnosticados em nosso país". Para sublinhar, de cada 10 alunos em sala de aula, dois são disléxicos, com algum grau significativo de dificuldades. Graus leves, embora importantes, não costumam sequer ser considerados.
Também para realçar a grande importância da posição do disléxico em sala de aula cabe, além de considerar o seríssimo problema da violência infanto-juvenil, citar o lamentável fenômeno do suicídio de crianças que, nos USA, traz o gravíssimo registro de que 40 (quarenta) crianças se suicidam todos os dias, naquele país. E que dificuldades na escola e decepção que eles não gostariam de dar a seus pais estão citadas entre as causas determinantes dessa tragédia.
Ainda é de extrema relevância considerar estudos americanos, que provam ser de 70% a 80% o número de jovens delinqüentes nos USA, que apresentam algum tipo de dificuldades de aprendizado. E que também é comum que crimes violentos sejam praticados por pessoas que têm dificuldades para ler. E quando, na prisão, eles aprendem a ler, seu nível de agressividade diminui consideravelmente.
O Dr. Norman Geschwind, M.D., professor de Neurologia da Harvard Medical School; professor de Psicologia do MIT - Massachussets Institute of Tecnology; diretor da Unidade de Neurologia do Beth Israel Hospital, em Boston, MA, pesquisador lúcido e perseverante que assumiu a direção da pesquisa neurológica em Dislexia, após a morte do pesquisador pioneiro, o Dr. Samuel Orton, afirma que a falta de consenso no entendimento do que é Dislexia, começou a partir da decodificação do termo criado para nomear essas específicas dificuldades de aprendizado; que foi elegido o significado latino dys, como dificuldade; e lexia, como palavra. Mas que é na decodificação do sentido da derivação grega de Dislexia, que está a significação intrínsica do termo: dys, significando imperfeito como disfunção, isto é, uma função anormal ou prejudicada; e lexia que, do grego, dá significação mais ampla ao termo palavra, isto é, como Linguagem em seu sentido abrangente.
Por toda complexidade do que, realmente, é Dislexia; por muita contradição derivada de diferentes focos e ângulos pessoais e profissionais de visão; porque os caminhos de descobertas científicas que trazem respostas sobre essas específicas dificuldades de aprendizado têm sido longos e extremamente laboriosos, necessitando, sempre, de consenso, é imprescindível um olhar humano, lógico e lúcido para o entendimento maior do que é Dislexia.
Dislexia é uma específica dificuldade de aprendizado da Linguagem: em Leitura, Soletração, Escrita, em Linguagem Expressiva ou Receptiva, em Razão e Cálculo Matemáticos, como na Linguagem Corporal e Social. Não tem como causa falta de interesse, de motivação, de esforço ou de vontade, como nada tem a ver com acuidade visual ou auditiva como causa primária. Dificuldades no aprendizado da leitura, em diferentes graus, é característica evidenciada em cerca de 80% dos disléxicos.
Dislexia, antes de qualquer definição, é um jeito de ser e de aprender; reflete a expressão individual de uma mente, muitas vezes arguta e até genial, mas que aprende de maneira diferente...
Disgrafia é uma inabilidade ou atraso no desenvolvimento da Linguagem Escrita, especialmente da escrita cursiva. Escrever com máquina datilográfica ou com o computador pode ser muito mais fácil para o disléxico. Na escrita manual, as letras podem ser mal grafadas, borradas ou incompletas, com tendência à escrita em letra de forma. Os erros ortográficos, inversões de letras, sílabas e números e a falta ou troca de letras e números ficam caracterizados com muita frequência...
http://www.dislexia.com.br/dislex_disgrafia.html
Tem mais coisas interessantes a respeito deste assunto quem quiser dar uma olhada é só visitar o link acima. Para nosso consolo os caras aí abaixo eram completamente disléxicos, que pena, não é o meu caso.
Einstein, da Vinci
e Pablito.
autor: Sexto
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Domingo, Agosto 14, 2005
http://jech.bmjjournals.com/cgi/content/abstract/59/9/749
Um estudo recente e muito sério feito por pesquisadores britânicos demonstra que, em média, uma em cada 25 pessoas não é filha da pessoa que acredita ser seu pai. Não tive acesso a toda a pesquisa pois é necessário ser assinante do Journal of Epidemiology and Community Health para ter acesso a todo o texto, porém aquele link lá em cima permite que se tenha uma idéia do assunto, caso você não acredite no sexto(de lixo) e queira saber mais.
Feliz dia dos pais!
Sr. Smith era um operário daqueles que cumpre todas suas obrigações, toma um único pint de cerveja na sexta feira após o trabalho no pub da sua vila e volta para casa para ficar com a esposa e as duas filhas. O casamento já havia perdido o calor dos primeiros anos, mas Mr. Smith ainda sonhava em ter um filho varão e umas duas vezes por semana ainda, digamos, se divertia com Margie, sua esposa, até que inacreditavelmente, pois ambos se consideravam velhos demais para serem pais novamente, Margie engravidou. Na verdade, de velho eles não tinham nada e se descuidaram por ter essa idéia fixa na cabeça. A gravidez transcorria tranqüila e Mr. Smith suspendeu até sua ida ao pub nas sextas feiras, porém nesta sexta feira ele resolveu ir ao pub celebrar a vitória do seu time na terceira divisão da liga inglesa. Sentou-se num canto e ficou degustando lentamente seu pint de new castle (excelente cerveja), os outros convivas não perceberam sua presença e Joseph, parceiro de fábrica há tantos anos fez um comentário que marcou para sempre a vida de Mr. Smith.
- "Sal, sabe de uma coisa, temo que o filho que a mulher do Smith está esperando não é dele, pobre homem, depois de tanta dedicação àquela mulher, ela andou deitando-se com John o farmacêutico e ele mesmo desconfia ser pai da criança, mas quem teria coragem de falar algo, nem sei qual seria a reação do Smith".
Smith escutou tudo e continuou acabrunhado em seu canto, Joseph e Sal se foram sem perceber a presença do amigo e o estrago que poderiam ter feito. Mr. Smith terminou sua cerveja e se foi. Na Inglaterra paga-se a cerveja na hora que se pede e não quando se termina de beber, isso significa que se você quiser tomar três terá que pagar três vezes, pode um negócio desses?
Desculpem-me pela interrupção. Enquanto Mr. Smith caminhava para casa encontrou com John o farmacêutico e o cumprimentou como sempre fez e como se nada houvesse escutado, tratou o assunto como deveria ser tratado, gossip. Onde já se viu levantar tamanha calúnia contara minha querida e dedicada Margie.
Os anos entre o nascimento de Brandon e o dia de hoje transcorreram-se tranquilamente, o menino já era quase um homem, 14 de agosto de 1994. Durante esses 14 anos o pai olhara desconfiado para o garoto, mas não deixou que nada transparecesse e não deixaria se não fosse aquele súbito mal estar que Brandon sofreu e teve que ser levado as pressas ao Hospital. Diagnóstico: Crise renal gravíssima. Terapia: Transplante. Mr. Smith não se abalou e com a certeza de que tudo seria resolvido prontificou-se a ser o doador. O médico, antigo conhecido de Smith, pois havia feito o parto de seus três filhos, mencionou que seriam necessários alguns exames para verificar a compatibilidade morfológica, mesmo tratando-se de pai e filho.
Nesta época havia surgido um exame revolucionário que eximia qualquer dúvida quanto à compatibilidade entre doador e receptor. Os exames foram solicitados e uma semana depois Mr. Smith recebe um telefonema do Dr. Brian pedindo que ele comparecesse em seu consultório.
Dr. Brian: - "Smith tenho uma má noticia, você não poderá doar seu rim ao garoto, existe uma incompatibilidade genética que não o permitirá, mas nós ainda temos como salvar o rapaz, pedi mais alguns testes e John o farmacêutico seria o doador perfeito e já se dispôs a fazer a doação".
Mr. Smith:- "Brian, o garoto não é meu filho"?
Dr. Brian:- "Não".
Mr. Smith: "Son of a Bitch"!
Dr. Brian:- "O garoto não tem culpa".
Mr. Smith:- "Você tem razão, vamos fazer o que deve ser feito".
The Red Village Post, 23 de agosto de 1994.
MR. SMITH PRESO POR DUPLO HOMICIDIO QUANDODO BEBIA UM PINT NO PUB LOCAL.
The Red Village Post, 1 de setembro de 1994.
BRANDON O FILHO ILEGITIMO DO ASSASSINO MORRE DE CRISE RENAL POR FALTA DE DOADORES.
Conclusões:
Uma grande descoberta cientifica que salva muitas vidas, pode ser uma tragédia para algumas pessoas.
Pai é quem cria, desde que a cidade toda não saiba.
sexto
O consultório, o Pub, o fofoqueiro e as vitimas
autor: Sexto
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Quarta-feira, Julho 20, 2005
Dlasfurbio, a verdade, ou coisa que o valha.
Antes de ler essa merda leia o post anterior.
Todo mundo já teve um dejavu na vida, todo mundo já teve a impressão de ter passado pela mesma situação mais de uma vez, às vezes eu acho que a única coisa que não aparece na minha frente em forma de premonição são os números a serem premiados no próximo sorteio da loteca: Eu não preciso de toda aquela grana, tô na boa, mas que não seria mal sonhar com as 6 dezenas isso realmente não seria.
Então, já faz bastante tempo que cismei com esse anagrama (dlasfurbio) e o tornei palavra, com significado e ontologia próprios. Porém, e sempre há um porém, surge essa imundice da nossa política e dois dos bacanas envolvidos remetem-me a minha absurda criação: Daslu e Delubio, dlasfurbio.
Toda minha dialética vem abaixo, como jaca madura, ou seria podre, caindo do galho mais alto, da presidência das jaqueiras.
Foram vinte anos dedicando meu voto a estrela vermelha do partido operário, exatos vinte anos, hoje tenho 38 e emiti meu titulo aos 18, pois naquela época ainda não era possível enganar as crianças com promessas de mudanças.
Não sou filiado ao partido, sempre fui anarquista, mas votava, enganando-me e achando que ainda existiria alguma decência na gestão da coisa pública, nada, até os grandes defensores da decência renderam-se a podridão. O pior de tudo é que eu já sabia desse levantar de mãos submisso e covarde. No primeiro dia de aula eu falei para um professor que defendia um determinado político: "Se a declaração de gastos de campanha dele for inferior a um milhão, ele, ou é pilantra ou é um idiota que não sabe quanto o partido gastou para elege-lo. Qualquer um sabe quanto custa e quanto é declarado e a diferença é uma das grandes pilantragens desse país. Todos, repito, todos eleitos, ou são incompetentes ou são canalhas, pois participam de uma estrutura partidária calhorda e safada. E não tem Suplici nem Jéferson Peres nem Pedro Simon que escape desse fato, ou é canalha ou incompetente, na maioria das vezes ambos.
Quando o dlasfurbio, digo Delubio, falou na CPI, "aqui todo mundo sabe como é feito o caixa de campanha", um monte de incompetentes, ou canalhas, como quiserem, estrilou e ele, bobão, pediu desculpas. Desculpas o cassete, já disse e repito, só tem canalha e incompetente.
Para não nos dar o trabalho de sair na rua para tira-los daí, os senhores tem duas opções, só no Brasil bandido tem opção, ou saem honrosamente como saiu o Getulio, ou façam como fez o Collor, mas, aqui parafraseio um outro canalha: SAIAM DAÍ E LOGO!
A partir do momento que TODOS (não só os do PT) vocês saírem temos duas opções, uma é continuar tocando nossa vida sem essa corja, como fizeram os "brancosos" no ótimo ENSAIO SOBRE A LUCIDEZ, do Jose Saramargo, ou tentamos reorganizar a política partidária no Brasil, mas sem esses FDPs.
Que Hacer?
Salve a Anarquia!
P.S. Pobre Niemeier que viveu tanto para ver fazerem isso dentro de sua criação!

autor: Sexto
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Quarta-feira, Julho 06, 2005
Dlasfurbio: Nota explicativa:
Como todos podem ver tenho obsessão por criar algo novo ou inusitado, para não passar a vida desapercebido. Esse é um sonho comum a quase todos os seres humanos, mas quando observamos as vidas das pessoas que conhecemos, mesmo as que seguiram os caminhos mais inusitados, percebemos que não fizeram lá grandes coisas. Podemos tirar dessa imensa lista umas duas ou três exceções, mas são apenas umas ínfimas exceções e incrivelmente, nosso objetivo é ser um deles.
A palavra dlasfurbio é um adjeverbosubstartigo de modo que serve para tudo, e ao mesmo tempo para nada. Ela foi criada desta forma, pois não há nenhuma palavra na língua portuguesa que se inicie com a seqüência de letras DLA, ainda tenho planos para criar outras que iniciem com LRA, mas estas teriam uma pronuncia tão linguidesarticulante que desisti por pura preguiça de verbaliza-las. Esta palavra não é masculina nem feminina e pode ser utilizada em qualquer outra língua que surtirá o mesmo efeito, pode até ser declinada em alemão e embicada em francês, todos a compreenderão e nada mudará.
Incrivelmente existem palavras em nossa língua que se iniciam com DJO, ou DJI, isso porque apesar de nosso egocentrismo, nossa língua é falada em outros países onde ela assume formas, belas por sinal, as quais nós não estamos habituados. Por exemplo: Existem as pessoas do Djibout que são os djibutianos e os djilas que não passam de mascates. Também existe um prato típico a base de hortaliças que se chama Djogó. Típico de onde? São Tomé e Príncipe. Onde se fala predominantemente francês, é preciso ver para crer e a palavra que eu acabei de inventar lá faria amplo sentido e se não fizesse ficariam todos indiferentes.
Onde quero chegar com essa conversa toda ou tola, ao estrelato, quero ser um novo Guimarães Rosa, criador de mundos, histórias e palavras, todos fantásticos em seu realismo. Por isso desenvolverei uma fenomenologia, um sistema epistemológico, uma estética, uma ética e uma moral para tornar o universo dlasfurbico mais profundo e que faça com que grandes pensadores futuros dediquem-se ao dlasfurbinismo, assim como muitos deitaram sua existência sobre a ontologia e metafísica, as monadas Kantianas, ao id e ao ego de Freud e ao existencialismo Sartriano.
A ser continuado!
Segue uma figura que poderá, ou não, vir a constituir o universo fenomenológico dlasfurbico.
Bartek e Maciek e seu Altar feito de LIXO!
autor: Sexto
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Terça-feira, Junho 21, 2005
O Calendário Inca em homenagem ao meu querido Shainner (Grande Palmeirense)!
Antes de mais nada umas linhas de minha infindável rabugenzice. Apesar de escrever mal e desconhecer as regras gramaticais de minha mátria língua, vamos aos comentários:
Meu querido Shainner deu uma de gaúcho e escreveu em seu comentário "fazem sete dias...."Shainner o correto é "faz sete dias" pode ser um milhão de dias que o verbo permanece no singular porque o sujeito blá blá blá, mas o correto é FAZ!
Minha amada, adorada, desejada e idolatrada Carol escreveu em seu comentário: "É verdade!!! Eu também as vi em um boteco assistindo o jogo... hahahaha..."
Como elas estavam no boteco e estavam, pois eu também as vi, elas não poderiam estar assistindo O jogo, pois para assistirem o jogo teriam que estar NO estádio, sendo arbitras, gandulas ou massagistas, visto que quando o verbo assistir é transitivo direto ele tem o significado de dar assistência, portanto, amada, adorada, desejada e idolatrada mulher o correto seria escrever: "eu as vi assistindo AO jogo. E ai sim elas estariam dando uma olhadela na peleja de ludopédio.
Desculpem-me pela rabugenzice (eu sei que essa palavra não existe, dá para deixarem de ser chatos), mas vamos ao calendário Inca.
Os Incas que na verdade chamavam-se Quichuas, pois Inca era um título concedido apenas a família real, habitavam a região que hoje corresponde ao Peru na América pré-colombiana. E, diferente de nós, apesar de serem um povo tecnologicamente muito desenvolvidos, não tinham escrita e portanto não cometiam erros gramaticais.
Através de um observatório que se localizava na antiga capital, Cuzco, faziam medições astronômicas muito precisas e a partir delas constituíam seus calendários. Esta construção possuia dezesseis torres, oito voltadas para o nascente e outras oito voltadas para o poente. Pelos resultados da observação das sombras de solstício e das sombras equinociais, os Amautas (eruditos conhecedores das ciências da época) efetuavam os cálculos necessários para a construção dos calendários.
Esse povo foi dizimado pelos espanhóis liderados por Pizarro e a partir de então a capital passou a ser Lima.
Como meu tempo está esgotado quem quiser ter a mínima noção de como funcionava o calendário, na rede tem vário sítios que explicam muito melhor que eu. Quem se chocar com o vocábulo epagomeno durante suas pesquisas segue o significado:
-que se acrescenta a um calendário (diz-se de cada um dos dias)
- entre os gregos antigos, diz-se de cada um dos dias ou meses intercalares que igualavam o ano civil ao solar.
- entre os antigos egípcios, diz-se de cada um dos cinco dias adicionados ao ano civil, que compreendia 12 meses de 30 dias.
P.S. Os Incas já entendiam a necessidade de haver anos bissextos!
P.S. 2 já escrevi sobre o tempo aqui antes, e ele está passando cada vez mais rápido: Chamem o Ivo Pitangui e o Viagara.
P.S. 3 Pasquale é a PQP!
Abraços
Um belo modelo de relógio.
autor: Sexto
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Sexta-feira, Junho 10, 2005
Este texto reproduz infielmente diálogos internéticos entre os nem tão famosos detetives Mordoch (clube) Holms e Hercule Panfilê captados e capturados por hakers alcoolatras. Trata-se de uma peça anteriormente psicografada por Charles Bukowski, reproduzida no Ideário do Delírio Cotidiano e replagiada por Fritz (Doubert). Deleitem-se.
Alerta Geral...
É muito importante ... a cidade de São Paulo está alerta ... "Põe na tela
pra mim o retrato falado delas" !!!... (Tá lá no fim)!
Testemunhas afirmam que viram neste último domingo duas das obras do grande pintor colombiano Fernando Botero transitando tranqüilamente pela Av.
Paulista, acredita-se que elas tenham escapado do MASP em um descuido da
segurança do museu, segundo o delegado da 45º Delegacia de Polícia, Dr.
Amnésio Dantas, que não se lembra direito dos fatos, as duas obras aproveitaram o horário do jogo Brasil e Paraguai e fugiram, "estamos trabalhando com a hipótese de que houve ajuda interna" afirma Dantas, uma vez que não houve registros do sistema de câmeras internas do museu na hora da fuga, as fitas já se encontram em poder da justiça para a perícia, esta semana serão chamados para depor todos os funcionários do museu e principalmente as cinco testemunhas que são peças chave deste mistério, mas também não se lembram bem do ocorrido devido ao consumo excessivo de cervejas. Segundo o que foi apurado até o momento as duas obras estavam sentadas tranquilamente no bar Opção, que fica atrás do MASP, assistindo ao jogo, ao que tudo indica elas torciam para o Paraguai.
"Provavelmente a falta de cultura aliada à concentração no jogo impediu que
as pessoas reconhecem as duas obras" afirma o presidente do MASP, o
arquiteto Julio Neves Derretido, "nossa grande preocupação é que isso de inicio a uma grande insurreição das obras", pois além das Boteranas, como já estão sendo chamadas, "tenhamos agora as Van Gohianas, Monetianas e Tarsilanas ... " diz o presidente inconformado, ainda não se tem informação se as duas obras são pinturas ou esculturas de beleza nada esculturais para os padrões femininos contemporâneos, "o que todos nós, paulistanos queremos é que elas retornem imediatamente ao museu, pois aqui é o lugar delas e não nas ruas" afirma o secretário da Cultura Carlos Augusto Calil Pinto preocupado com a integridade das obras e temendo que algum ensandecido tarado por mulheres gordas as raptem. Uma das testemunhas, que não quer ser identificada, diz que foi seguido pelas obras e que posteriormente as viu comendo uns cachorros quentes enquanto conversavam tranquilamente.
Mordoch Holmes,
Na realidade após devorar 3 ou 4 cachorros quentes com duas salsichas cada pelo módico preço de R$ 0,75, as Boteranas evadiram-se em direção a Rua Direita com o objetivo de degustar um churrasco grego. Mas este desaparecimento não é o pior, pior memso é o Abapuru da Tarsila do Amaral que mudou de cor, ficou vermelho de vergonha após a derrota da canarinho para a celeste e tenta disfarçar sua existência na entrada da Galeria Malba em Buenos Aires, onde todos os transeuntes fazem questão de tirar muito sarro dele, além de afirmar com todas as letras que jamais voltará a fazer parceria com as Boteranas torcendo em favor da vergonhosa canarinho e que vai dar um rolê pela Recoleta, tomar umas Quilmes para refrescar e ver se volta a sua cor original.
O Abapuru manda lembranças as Boteranas e diz que Buenos Aires é o máximo para passear ao ar livre!
Hercule Panfilê
O Abapuru antes de mudar de cor!
Uma das maravilhosas Boteranas perdidas!
autor: Sexto
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Quinta-feira, Março 17, 2005
O aborto e o B.O.
Uma moça aparentando 23 anos, gostosinha na visão do policial de plantão no 137º D.P., entra na delegacia com uma aparência que misturava receio e medo.
Policial de plantão (Investigador Onofre): - Posso ajudar a senhorita. Que gostosinha, comenta baixinho ( O escrivão Carlos imediatamente cresce os olhos para a bunda da moça).
Moça (Osminda), realmente bem gostosinha, pensou o escrivão Carlos.Com uma voz meiguissima, quase delicada ela diz: - Investigador Onofre, preciso fazer um B.O., mas pode ser em uma sala fechada, estou tÂaaaaaaaaaaaaaaaao envergonhada.
Onofre encaminha a gostosinha, digo a moça, para a sala do escrivão, põe ela estrategicamente sentada para poder apreciar as suas coxas e diz: - Vamos precisar do seu RG. Enquanto Carlos digita os dados da moça num computador XT de primeira geração, tela verde e teclado acoplado, Onofre inicia as perguntas:
- O que houve exatamente que te deixa tão constrangida?
Osminda:- É que eu fui estuprada.
Nesse momento cai uma lágrima dos olhinhos meigos de Osminda.
Carlão (o escrivão): - Qual seu endereço?
Osminda: - Rua braço do trombudo 57, jd maracutaiama, santo amaro.
Onofre: - E quando foi o ocorrido?
Osminda: - Faz 20 dias, foi numa noite de sábado eu já tava quase em casa...
Onofre interrompe a moça abruptamente: - E PORQUE NÃO VEIO AQUI NA HORA?
Osminda: - Fiquei com vergonha!
Onofre:- E porque resolveu vir agora?
Carlão não para de digitar aquelas baboseiras no jargão policial.
Osminda soluçando: - É que faz uma semana que não desce e eu fiz o tes...
Onofre interrompe novamente: - PORRA! DEPOIS QUE INVENTARAM ESSA NOVA LEI, 3 VEZES AO DIA APARECE UMA AQUI COM HISTÓRIA TRISTE...
Osminda, ainda soluçando: - Mas é verdade investigador Onofre.
Ela assoa o nariz na manga do vestidinho de moça simples.
Onofre: - E ele não te bateu, tava armado?
Osminda: - ele me pegou a força, era um negão enorme!
Onofre: - Tá vendo Carlão é sempre Negão enorme, porra não tem um FDP de um branco estuprador?
Onofre era um puta de um negão!
Onofre: - Carlão vai terminando o B.O. que eu vou chamar o investigador Mifume para fazer o retrato falado do tal do Negão. Toca a sociedade pagar mais um aborto.
Onofre tinha um senso de civismo impressionante. Zelava pelo bem público como nenhum outro servidor.
Mifume: - Dona Osminda, que gostosinha ele pensa, diz ai uma característica do rosto dele que te chamou a atenção!
Osminda: - Ele tinha lábios grossos era forte...
Mifume desenhando:- Sei, e mais o que? Que idade a senhorita acha que ele tem?
Osminda: - Acho que tinha uns 50 e poucos mas aparentava menos, era do tipo forte, atlético.
Onofre observa e pensa,:"Acho que já vi essa perversa na Aurora!"
Mifume ainda desenhando: - E mais o que?
Osminda: - Tinha um topete meio esquisito e uma voz estranha, meio fanho.
Mifume:- Já viu por voz em desenho dona? Fala mais alguma coisa pra eu terminar isso aqui!
Osminda: - Não sei, não sei. Osminda se esvai em lágrimas.
Carlão pensa alto: "Lágrimas de crocodilo."
Mifume mostra o esboço para Osminda que esboça um desmaio e grita: - É ele, É ele!
Onofre radiante: - eu disse que conhecia esta perversa!!!!!!!!
Aqui segue o esboço feito por Mifume:
Deixo claro que sou afavor do aborto em qualquer circuntância desde que seja vontade da mulher.
autor: Sexto
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Quinta-feira, Fevereiro 24, 2005
Morreu há uns dias atrás o escritor Guillermo Cabrera Infante, já falei dele aqui e gostava muito do seu trabalho. Ele vivia na Europa por discordar do Regime do Fidel, apesar de ter apoiado a revolução. Fiquei pensando como podemos gostar de duas pessoas que divergem em suas opiniões. Já havia mencionado minha admiração pelo Cabrera Infante e pelo Che, um que combatia e outro que defendia o castrismo, mas ambos o faziam com qualidade. Vai ver que é esse o motivo, mas isso pouco importa, na verdade nada importa. Leiam:
Uma história do conto, Guillermo Cabrera Infante.
O conto é tão antigo quanto o homem. Talvez até mais, pois podem muito bem ter existido primatas ancestrais que contavam contos feitos inteiramente de grunhidos, que são a origem da linguagem humana: um grunhido, bom; dois grunhidos, melhor; três grunhidos já são uma frase. Assim nasceu a onomatopéia e com ela a epopéia. Mas antes desta, cantada ou escrita, houve contos feitos inteiramente de prosa: um conto em verso não é um conto, mas outra coisa: um poema, uma ode, uma narração com métrica e talvez com rima: uma ocasião cantada, não contada, uma canção.
Antes até que aquele anônimo artista de Altamira pintasse seus minuciosos murais, deve ter existido um autor anônimo na região que contasse contos para seus companheiros de caverna sentados em volta de uma fogueira. O homem, como sabemos, é o único animal que faz fogo. O contista é o único ser humano que faz contos. Esses contos seriam, por exemplo, narrações de um dia de caça perdido no encalço de um cervo branco com um chifre na testa. Os contos não perduraram nas paredes da caverna, mas não se perderam: foram reencontrados, contados, na memória coletiva.
Séculos mais tarde, outro contista pegou o mesmo conto, embelezou o cervo branco e o converteu em mito ao chamá-lo unicórnio. Embora a experiência fosse alheia, tomou e fez seu o tema do unicórnio perdido. Muitos séculos mais tarde, outro contista enfeitou com metáforas (isto é, embelezou poeticamente) esse animal único com seu único chifre. Passados outros tantos séculos, o homem que conta já havia aprendido a escrever (e, é claro, a ler), e outros animais e outros homens que se transformavam em animais povoaram com contos o que chamamos mitologia, mas que para eles era essa transcendência chamada religião.
Em outro século, quando outros homens já não acreditavam nessa religião de deuses tão humanos que se confundiam com os simples mortais, um deles, um poeta chamado Ovídio, escreveu As Metamorfoses. De religião, esses textos não tinham mais do que aqueles primeiros contos contados em volta de uma fogueira numa caverna. Isso fez do conto o gênero literário mais antigo e mais protéico.
Protéico, como se sabe, vem de Proteus, deus grego que estréia na cena olímpica com a "Odisséia", poema feito de contos. Proteus sabia tudo de tudo, mas mudava de forma para não ser interrogado. Isto é, fazia o contrário de um autor atual, que nunca muda de forma, mas procura sempre ser interrogado: pela imprensa, pelo rádio e pela televisão - e, às vezes, pela polícia. Creio desnecessário frisar que Proteus era uma metamorfose feita deus. Proteus está muito perto de prosa, que é o que os contistas cultivam. Protéico, prosaico - dá na mesma.
Os gregos, além de Homero e sua Odisséia, cultivavam o conto, e um romancezinho, que é o que é Dafne e Cloé, publicado no segundo ano da nossa era, foi seu provável precursor.
Mas são contos os fragmentos que fazem do Satyricon, de Petrônio, um romance, e um de seus mais memoráveis é aquele intitulado "A Viúva de Éfeso", um conto perfeito e muitas vezes citado, copiado até. Entre outros por Jean Cocteau, poeta tão teatral que transformou o conto em peça, ganhando-o para o teatro.
O conto, logo protéico, parece desaparecer na Idade Média, mas na verdade se veste com os versos do romance, seja nos "romans courtois", onde aparece como história de aventuras, seja no "Roman de Renart", em que serve a um fabulário, não longe do zoológico de Esopo. Na saga arturiana (que não se deve confundir com a sopa asturiana, conto de favas), o romance adquire um tom mágico, quase místico, que lhe é exclusivo. Mas a história paralela do amor fatal de Tristão pela bela Isolda é, como quer Bédier, um conto de amor, de loucura e de morte cuja aura mágica não fica nada a dever aos modelos gregos e romanos.
Mas o conto, sempre recomeçado, reaparece onde menos esperariam os trovadores medievais: no Oriente.
Os árabes, entre o harém e a areia
As Mil e Uma Noites é a mais monumental compilação de contos do final da Idade Média. Esses contos são a mais traduzida (e conhecida) literatura árabe depois do Corão. Suas histórias ("Ali Babá e os 40 Ladrões", "Aladim e a Lâmpada Maravilhosa" e "Simbá, o Marujo") são hoje tão populares como quando foram traduzidas aos diversos idiomas europeus. Sua influência é perceptível desde Boccaccio e Chaucer. Mas, já antes deles, um extraordinário escritor espanhol, o infante d. Juan Manuel, incluiu em seu "Libro de los Enxiemplos" mais de um conto árabe extraído de "As Mil e Uma Noites", então reconvertidas em tradição oral.
Ao contrário do que acontece com os contos contemporâneos na Europa, As Mil e Uma Noites têm mil e um autores, e a esperta princesa Sherazade é um autor coletivo que conta com voz de mulher. São, em todo caso, contos de encanto, e até seu título em árabe é encantador, encantatório: "Alf Layla wa Layla". Dessa vasta coleção de contos rastreou-se a origem até o século 9º d.C. Sua última forma é do século 16. Isso quer dizer que, com seu feitiço oriental, o livro cobre quase toda a Idade Média cristã - embora diga, no início de cada conto: "... mas Allah é mais poderoso". Em seguida vem uma espécie desconhecida de poesia que as infiéis e cruentas traduções não conseguiram aniquilar. Sherazade é a mais poderosa máquina de matar o tédio e a crueldade do rei que sempre assassinava a consorte de cada noite, à exceção da contista, uma mulher amena, apesar de ameaçada.
Chaucer repetiu o esquema em seus Contos de Canterbury, mas em verso. Quem o conseguiu em prosa foi Boccaccio, em seu imitado, inimitável Decameron. É curioso que Cervantes, um artista supremo, tenha buscado inspiração nos contos italianos e não nos exemplos do infante d. Juan Manuel, que, diga-se de passagem, deu a Shakespeare seu "Relato de Mancebo que Casó con Mujer Brava". Acontece que Boccaccio é um contista natural, tal como a contadora de histórias árabe. Cervantes, que inaugurou o romance moderno, o mais imitado, chamou o Quixote de livro e de "novelas exemplares" seus contos, declarando que "de modo algum poderás fazer", leitor, "mistifório". Mas revelou seu ofício e arte: "Meu intento foi armar (...) uma mesa de carambolas". E acrescentou: "Onde cada qual encontre com o que se entreter".
Um escritor cairota, Naguib Mahfuz, em suas Noites das Mil e Uma Noites, que o editor cataloga como romance (os editores são capazes de chamar de romance a lista telefônica, que pode não ter narração, mas tem uma porção de personagens), esse escritor consciente, demasiado consciente, tenta se tornar uma Sherazade assídua. Mas fracassa em seu intento. O livro quer ser árabe e é apenas egípcio.
Por outro lado, Los Cuentos Negros de Cuba são minhas mil e uma noites negras, contadas por uma Sherazade branca, Lydia Cabrera, para entreter as noites em claro de uma amiga agonizante. No final do livro, a doente já estava morta, mas os contos vivem na imortalidade da literatura. Eu os classifiquei, qualifiquei, como "antropoesia".
A trama tecida noite após noite por Sherazade, Penélope contista com milhares de pretendentes, levou muitos escritores - desde d. Juan Manuel, Boccaccio e Chaucer - a tentar uma imitação em que diversos talentos buscam emular o encantamento árabe. Poucos o conseguiram, mas um escritor nosso contemporâneo, Manuel Puig, em seu O Beijo da Mulher Aranha, é uma Sherazade argentina que a cada noite conta um filme inventado para seu companheiro de cela, seu vizir cruel: completamente surdo às dádivas orais que lhe oferece Puigrazade - assim como é cego a suas investidas sexuais.
Edgar Allan Poe inventou com três contos - "Os Crimes da Rua Morgue", "O Mistério de Marie Roget" e "A Carta Roubada" -, ele sozinho, a literatura policial, que são o conto e o romance de mistério. Todos os cultivadores do gênero recém-criado foram seus epígonos, de Arthur Conan Doyle, criador do insólito Sherlock Holmes, a Dashiell Hammett e Raymond Chandler, romancistas que foram também contistas e, de passagem, renovaram o gênero. Uma epígona (se alguém disse "jóvenas", eu posso muito bem dizer "epígona"), Agatha Christie, disse: "O conto é o domínio natural da literatura de crime e mistério".
Muitos contistas, quase todos anglo-saxões, fizeram do conto seu habitat, que era como uma casa mal-assombrada. Todos seguiram o ditame de Poe, que disse que o conto "é uma narração curta em prosa" e definiu o conto breve como uma peça literária que "requer de meia hora a uma hora e meia ou duas de leitura". Eis aí um importante modo de usar, "com cuidado". Mas há - ah! - leitores descuidados. Para estes, a melhor maneira de ler é no avião - e um best-seller ou livro que se compra porque se vende.
Os herdeiros de Mark Twain são tão numerosos quanto os seguidores de Poe, mas os primeiros, que chamaremos aqui humoristas, atentaram apenas para o lado luminoso da lua de Twain -sem enxergar suas regiões de sombra e de penumbra. O mais bem-sucedido deles foi Damon Runyon, com suas historietas em que o submundo de Nova York aparecia povoado de gângsteres sentimentais, jogadores sementais e uma porção de mulheres de moralidade duvidosa e um (pouco) siso legível como sexo. O cinema e o teatro, onde ninguém lê, criaram um Runyon ilustrado para iletrados. Runyon, que fazia rir, ia ao banco sempre rindo.
Não foram só os contistas com humor que tiveram sucesso popular. A partir do século 19, houve também quem cultivasse - e fosse popular por algum tempo - essa estranha e elusiva planta chamada "conto fantástico". Na Inglaterra, onde se desperdiçara a tradição realista iniciada por Chaucer, houve muitos autores de fantasias cujo objetivo não era induzir o sonho, e sim o pesadelo. Lembro, entre outros, Arthur Machen, Saki e Roald Dahl.
Na Irlanda, terra de luzidas lendas nada lúcidas, Sheridan le Fanu foi um contista de mistério e terror cuja coleção In a Glass Darkly (em Dublin, cidade alcoólica, tomam o espelho, "glass", como copo, e o livro se chama "Em um Copo Escuro") é um dos clássicos do conto de terror como horror. Sua contrapartida foi mais tarde o norte-americano H.P. Lovecraft, um precursor da ficção científica, gênero praticamente inventado por H.G. Wells na Inglaterra. A ficção científica encontrou no conto sua forma perfeita para uma arte imperfeita. Vale registrar que todos os mestres do conto de horror anglo-saxão têm, também eles, em Poe seu antecessor primordial.
É preciso abrir aqui um parágrafo para Rudyard Kipling, talvez o maior contista inglês de todos os tempos. Kipling não fica nada a dever a Poe ou a Mark Twain, e é para a Inglaterra o que Maupassant foi para a França e Tchecov para a Rússia: um contista natural. Começou publicando em jornais indianos e, quando afinal foi a Londres, então o centro do universo literário, tinha apenas 20 anos (Kipling é quase nosso contemporâneo, morreu em 1936). Deixara para trás a Índia, embora fosse justamente seu lado muçulmano, mais do que o hindu, o que mais lhe interessava no subcontinente.
Kipling cultivou todas as modalidades do conto, do monólogo à conversa, sendo alguns de seus contos feitos inteiramente de digressões, como queria Sterne, mas também de invenções memoráveis. E muito antes que Conrad ou Somerset Maugham descobrissem o mundo exótico do Oriente. Com a diferença de que, para Kipling, nascido em Bombaim, aquilo era a vida vivida e vívida.
A França não teve um Chaucer, mas teve um mestre do conto no século 18, tardio, mas nada lerdo em sua arte da ironia, exercida com uma inteligência incomum. Refiro-me a Voltaire, cuja obra-prima, Cândido, não é um romance, e sim uma fábula com uma moral em cada página. Os franceses tiveram de esperar todo o século 19 para que, afinal, surgisse um dos maiores contistas de todos os tempos, Guy de Maupassant, assombroso autor de sucessivas obras-primas do gênero. Maupassant teve Gustave Flaubert como mestre e Émile Zola como mentor. Mas nenhum dos dois, embora tanto Flaubert como Zola tenham escrito contos memoráveis, conseguiu superar o discípulo nascido para o conto. Sua influência foi enorme em toda parte e teve seguidores (se não verdadeiros plagiários) na Inglaterra, nos EUA e na Rússia.
É na Rússia que Maupassant encontrará um rival extraordinário, Anton Tchecov, que começou contando anedotas e piadas na imprensa e acabou transpondo seus principais contos para o teatro, com uma arte inesperada. Tchecov, que podia reivindicar para si Nicolai Gogol (autor de "O Nariz" e "O Capote", entre outros contos), era um admirador de Tolstói, que escreveu contos como relatórios de guerra e foi contemporâneo de outro mestre cultivador da forma breve, Ivan Turgueniev. Mas a influência maior no autor de "A Dama do Cachorrinho" e "A Cigarra" é, evidentemente, Maupassant. De Tchecov derivam Górki e todos os contistas russos do início do século 20, que pareciam brotar da terra russa - até que chegou Stálin e, com seu cultivo forçado do realismo socialista, transformou a fértil literatura russa num deserto com tratores.
Outro seguidor de Tchecov foi, na Inglaterra, Somerset Maugham, mestre do conto inglês e mundial. Foi, ainda é, um autor com uma popularidade que se estendeu aos palcos e às telas: várias obras-primas do cinema, como "A Carta" (do diretor William Wyler, de 1940), se baseiam em seus contos. Maugham, em seus contos exóticos, foi influenciado pelas narrações dos "mares do sul" de Conrad e, por sua vez, teve influência sobre outros contistas, evidente sobretudo nos contos urbanos de John Cheever e John Updike, típicos produtos da revista "The New Yorker".
Se James Joyce tivesse morrido logo depois de publicar Dublinenses, ainda assim seria considerado um escritor notável e um grande contista. Traduzir é reescrever. Traduzindo Dublinenses, tive a oportunidade de encontrar os "tricks" e tiques de Joyce mas também seus magistrais contos originais e sombrios e sua escritura cômica.
"The Dead" (que traduzi como "El Muerto") é uma obra-prima dolorosa e um dos grandes contos escritos em inglês, quase um romance, por seus personagens inesquecíveis e sua extensão. "The Dead" não é um precursor do Ulisses, e sim uma peça acabada em si mesma, de uma prosa milagrosamente extraordinária.
Não se poderia deixar de falar de um dos escritores mais originais do século 20, Franz Kafka, inventor da fábula com moral teológica, ou seja, metafísica. Sua influência se faz sentir em muitos escritores judeus, como Isaac Bashevis Singer, ou genuinamente gentílicos como Milan Kundera, que o reclama para a literatura tcheca, embora Kafka tenha escrito em alemão e pertença à cultura talmúdica. Felizmente para nós, que não somos nem tchecos nem judeus nem alemães, Kafka pode ser lido com verdadeiro deleite literário.
Um epígono de Kafka, judeu como Kafka, apareceu não na Tchecoslováquia, mas na Polônia: Bruno Schulz, contista. Seu "Lojas de Canela" é de uma originalidade delicada: uma visão da vida judia numa cidadezinha da Polônia que oscila entre a magia e um doce realismo. Schulz, não podemos esquecer, foi assassinado por um tenente da SS nazista, castigo tremendo apenas por estar parado numa esquina sem fazer nada. Ao contrário de Kafka, nunca nem sequer sonhou seu final. É que o totalitarismo é sempre inimigo da literatura.
Hemingway e Tarantino
O conto americano do século 20 nada deve a Maupassant, mas sim a Tchecov. Seu renascimento lembra mais Twain do que Poe e começou, como ocorrera com Twain, com uma literatura regional que pulava as fronteiras do Meio-Oeste para chegar a Nova York e daí ao mundo. Seu pioneiro se chamava Sherwood Anderson, patrocinador de William Faulkner e modelo de Ernest Hemingway. Seu livro Winesburg, Ohio (conhecido na América do Sul e em Cuba como Las Novelas de lo Grotesco, embora não sejam romances, e sim contos, e essa história de grotesco seja gratuita, mas não deixa de ser um título com gancho) continha uma nova visão do mundo adolescente num lugarejo de Ohio, e sua linguagem, coisa bem importante, era entre ingênua e sábia.
Faulkner, que graças a Anderson publicou seu primeiro romance, é famoso como romancista, ou melhor, como um poeta falastrão, mas escreveu meia dúzia de contos memoráveis. Hemingway, por sua vez, é mais contista do que romancista: um artista que renovou a prosa moderna americana com seus diálogos sofisticados para conversar com primitivos, que são de uma mestria ainda atual. Seu conto "Os Assassinos", em que apenas com o diálogo se oferece uma amostra do mal sob a forma de uma conversa aparentemente casual, revela uma violência latente que nunca se faz patente.
Desse breve conto partiu a renovação do romance policial com Hammett e Chandler, que escreveram primeiro contos de mentira e de morte. Um film |